EcoEconomia
  21/06/2008
Brasil como inovador nas energias alternativas?

O desafio do aquecimento global e a busca por novas alternativas energéticas abrem espaço para países que tenham capacidade de serem inovadores. O Brasil tem condições de buscar se posicionar favoravelmente neste novo cenário global, desde que implemente ações adequadas e rápidas.

Mas, precisamos separar claramente o conceito de invenção da inovação. Inovação significa um ciclo de ponta a ponta que pode até começar com uma invenção, mas chega até o produto e sua aplicação pela sociedade. Invenção é um subconjunto da inovação e por si não gera nenhum resultado prático.

E, inovar no contexto globalizado atual significa deixar de lado certos dogmas ideológico que enfatizam o protecionismo e a síndrome do “fazer tudo em casa”. Um país não consegue inovar sozinho, mas precisa estar integrado a uma rede mais ampla e global de inovação.

Uma rede de inovação multinacional contém papéis diferenciados, onde os países assumem estes papéis de acordo com seus pontos fortes ou viés como:

1)Países com viés inventor, ou sejam, aqueles países com forte ênfase em universidades de alto nível e sólidos e reconhecidos centros de pesquisas. São os países que geram um grande número de patentes. Estes países formam grande número de pesquisadores e acadêmicos com mestrado e doutorado. Seus governos apóiam enfaticamente programas de inovação.
2)Países com o viés de transformador, que são aqueles que convertem as invenções em negócios de alto valor para a sociedade. São países com forte industrialização e sólida infra-estrutura de logística e comunicação, bem como ênfase em pesquisas aplicadas. São países bem abertos comercialmente ao mercado externo, inseridos plenamente em um contexto globalizado. Podemos incluir países que tenham uma vantagem comparativa em relação a outros em determinados fatores, como por exemplo, fontes de energia alternativas.
3)Países com viés de financiador, que são aqueles com forte ênfase em investimento externo. Investem significativa parte de seu PIB em pesquisa e desenvolvimento, inclusive no exterior.

Claro que para fazer uma análise criteriosa é necessário um estudo mais aprofundado e dados confiáveis. Não os tenho...Mas, de forma empírica, podemos analisar o Brasil sob estes três aspectos e tentar classificá-lo da melhor forma.

O Brasil não pode se classificar como um país focado na invenção. Temos invenções sim, mas não existem condições para o país assumir este papel em mundo globalizado e competitivo, onde países como os EUA, Alemanha, Reino Unido, Japão, Coréia, Finlândia, Suécia e alguns outros já assumiram este papel e será muito difícil (ou impossível...) ultrapassá-los. Também não podemos nos classificar como um país investidor ou financiador...Nem precisamos pensar muitos sobre as razões!

E quanto ao papel de transformador? Temos alguns pontos negativos, mas também alguns fatores positivos. Quando falamos em energias alternativas temos uma liderança mundial em biocombustiveis, temos potencial para crescer energias alternativas como eólica e solar e nossa matriz energética é à base de hidrelétricas, com pouca utilização de carvão e óleo diesel.

Mas para assumir este papel em um contexto global temos que enfatizar e desenvolver alguns programas como:

1)Aumentar a utilização da tecnologia da informação e da Internet, principalmente com maior acesso por banda larga;
2)Melhorar os níveis educacionais das universidades, aproximando-as do mundo real. Universidades em países com viés transformador devem estar muito mais próximos do ambiente de negócios que da pesquisa pura. O seu forte deverá ser pesquisa aplicada, ou seja, como aplicar invenções (inclusive as geradas lá fora) para gerar produtos e serviços inovadores no setor de energia;
3)Melhorar a infra-estrutura de logística e comunicação;
4)Ampliar a abertura comercial e expurgar ideologias que pregam isolacionismo;
5)Investir intensamente em programas de apoio à inovação, focadas em aplicações práticas.

É um roteiro difícil. Mas não impossível...Depende da força de vontade dos governantes e de nós, cidadãos. Se cada um fizer a sua parte, podemos assumir um papel de maior relevância na sociedade global do século 21.
Escrito por Cezar T. Chede em 21/06/2008
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  03/06/2008
Questionando (novamente) a energia nuclear

Estamos vendo a história se repetir: retomam-se as discussões sobre o uso da energia nuclear no Brasil. Voltamos a ver o intenso lobby dos seus adeptos, lobby que existe por aqui desde os empreendimentos nucleares advindos de um acordo desastroso com a Alemanha. Hoje estes projetos continuam ainda sendo cogitados, apesar de todos os questionamentos e problemas quanto à sua viabilidade ambiental e econômica.
A pergunta é: porque energia nuclear? As usinas nucleares liberam substâncias radiativas que contaminam o meio ambiente, afetando todos os seres vivos. Seus efeitos não são imediatos, mas graduais, se acumulando aos pouquinhos no organismo. As doenças genéticas causadas pela radiação podem aparecer apenas nas gerações futuras.

Apesar de várias autoridades públicas afirmarem que a energia nuclear é segura (alguém ainda acredita em autoridade pública no Brasil?), sabemos que não existe nenhuma tecnologia que seja 100% segura e assim eventuais problemas, por mais que sejam tomadas medidas de segurança, sempre podem ocorrer com a energia nuclear. Já ocorreram acidentes e quase acidentes...

Além disso, não existe algo como nível seguro de radiação. Não existem provas médicas que comprovem que abaixo de determinado nível, a radiação é segura, não causando danos à saúde. Mas será que esta radiação, por mínima que seja, não provoca danos no longo prazo?
Uma questão importantíssima, mas ainda sem uma solução realmente confiável, apesar de décadas de pesquisas tecnológicas, é o que fazer com os resíduos nucleares, ou seja, o lixo que resulta do processo de produção da energia nuclear. O lixo atômico é produzido em todos os estágios do ciclo do combustível nuclear- desde a mineração do urânio até o reprocessamento de combustível nuclear irradiado.
Cada reator produz toneladas de lixo radiativo por ano, que se mantém tóxico por milhares de anos. O plutônio, por exemplo, mantém sua periculosidade por cerca de 500.000 anos, tempo que excede em pelo menos cem vezes toda a nossa história documentada. Sabemos realmente como garantir que este lixo poderá ser armazenado em segurança por tanto tempo? Como garantir que nossa tecnologia de armazenamento durará esta enormidade? Será que ao longo dos próximos milhares de anos não haverá vazamentos?
Na operação de rotina de toda usina nuclear, alguns materiais residuais são despejados diretamente no meio ambiente. Resíduo líquido é descarregado (como "água de resfriamento de turbina") no mar ou em rio próximo à usina; resíduos gasosos vão para a atmosfera.
Os resíduos são a grande preocupação da sociedade com relação ao uso deste tipo de energia. Existem três categorias de lixo atômico: resíduo de alto nível (HLW, de high level waste); resíduo de nível intermediário (ILW, intermediate level waste); e resíduo de baixo nível (LLW, de low level waste).
O HLW consiste principalmente de combustível irradiado proveniente dos núcleos de reatores nucleares e de resíduos líquidos produzidos durante a operação. O HLW tem vida de 35 mil anos (como comparação é quase o mesmo tempo que se estima que o homo sapiens habita a Terra...). O ILW consiste principalmente de "latas" de combustível metálicas que originalmente continham urânio combustível para usinas nucleares, peças de metal do reator e resíduos químicos. Este material deve ser blindado como proteção contra a exposição durante o transporte e a destinação final. Normalmente, ele é estocado no local em que é produzido. O LLW pode ser definido como o resíduo que não requer blindagem durante o manuseio normal e o transporte. O LLW consiste principalmente de itens como roupas de proteção e equipamentos de laboratório que possam ter entrado em contato com material radioativo.
O risco de contaminação do solo por vazamentos ou falhas no armazenamento deste resíduo ou mesmo eventuais acidentes quando de seu translado torna altamente questionável um projeto nuclear aqui no Brasil.
Na nossa matriz energética as usinas termonucleares em operação (Angra 1 e 2) contribuem com pouco mais de 1% da energia gerada. Se Angra 3 já estivesse operando, esta contribuição não passaria dos 3%. Além do mais, os países do mundo todo estão buscando outras fontes de energia alternativas, principalmente oriundas de fontes limpas e sustentáveis. A própria Alemanha, que nos vendeu a tecnologia nuclear há mais de vinte anos, já conta com uma capacidade instalada de energia eólica maior do que a capacidade da usina nuclear. O seu parque de energia eólica foi conseguido em grande parte substituindo-se gradativamente a energia nuclear.
Assim, reiniciar um projeto de expansão do Programa Nuclear significa um investimento de mais de US$ 13 bilhões até 2022 para a conclusão da usina Angra 3, além de outras unidades nucleares de grande porte e pequeno porte.
Apesar disto, existe um forte lobby pela construção de mais usinas nucleares, mesmo quando podemos usar outras fontes alternativas, como a solar, a eólica – produzida pelo movimento de motores com o vento – e a biomassa – produzida a partir de organismos biológicos.
Já existem casos concretos de uso destas tecnologias alternativas. A Dinamarca, por exemplo, já obtém mais de 15% de sua eletricidade através da energia eólica. O estado de Navarra, na Espanha obtém mais de 20% de sua eletricidade do vento. No mundo inteiro estima-se que a capacidade instalada de energia eólica é de mais de 74 GWs, ou seja, mais de cinco Itaipus. A Alemanha ocupa a primeira posição do ranking mundial em GWs instalados, seguido pelos EUA e Espanha. O Brasil ocupa um modesto vigésimo lugar...

Mas, alguns estudos mostram que o potencial de energia eólica no Brasil corresponde a 143,4 GW, o que seria equivalente a dez Itaipus. A grande concentração é no nordeste (75 GWs) seguido do Sudeste, com quase 30 GW.

Infelizmente, as energias alternativas ainda são vistas como opção marginal. Se fossem consideradas prioritárias deveriam fazer parte da estratégia global de energia e não ser apenas um programa à parte. Porque não incrementar esta estratégia de energias alternativas em vez de ampliar o uso da energia nuclear?

Escrito por Cezar T. Chede em 03/06/2008
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  28/05/2008
Os colarinhos verdes

Nos EUA e n Europa começa a ganhar espaço no mercado os trabalhadores ligados ao meio ambiente, já chamados de colarinhos verdes, uma variante dos colarinhos-brancos dos empresários e dos colarinhos-azuis dos operários. Estes novos postos de trabalho são encontrados nas indústrias de energia renovável, combustíveis alternativos e na construção de prédios ecológicamente corretos.

Em dezembro ultimo o governo americano sancionou o Green Jobs Act, autorizando investimentos de 125 milhões de dólares para treinamento de trabalhadores interessados em se especializar na área. O alvo é a massa de operários que perderam emprego por causa da mão de obra mais barata na China e na Índia.

As oportunidades de trabalhos na área crescem em ritmo acelerado nos EUA e já se destacam necessidade de mão de obra especializada em instalação de painéis solares, jardinagem orgânica e construção verde. Segundo algumas estimativas, a atual força de colarinhos-verdes nos EUA já de 8,5 milhões de pessoas, devendo chegar a mais de 40 milhões por volta de 2030. Surgiram até headhunters especializados em empregos de colarinhos-verdes, como a GreenBiz (http://www.greenbiz.com/green-careers), Green Careers (http://www.geocities.com/greencareers/) e outros sites como http://www.monstertrak.monster.com/greencareers/. Algumas cidades americanas, como Oakland estão criando cursos de formação de capacitação de profissionais em áreas de manufatura de biocombustíveis e instalação de painéis solares.

E no Brasil? Será que a criação de cursos de formação técnica e superior na área ambiental não seria uma boa alternativa para novos empregos?
Escrito por Cezar T. Chede em 28/05/2008
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  24/05/2008
A Última Hora

Aproveitei este feriado para ver um documentário que já estava há tempos na minha lista, o “A Última Hora”, produzido e narrado pelo ator Leonardo di Caprio.

O documentário é excelente e o recomendo fortemente. Mostra depoimentos e imagens impressionantes que não deixam dúvidas quanto ao momento em que vivemos. Não há mais tempo para postergarmos as ações que possam parar nossa corrida rumo ao colapso ecológico global.

O fato incontestável é que a crise é agora e nós temos que buscar soluções para preservarmos a Terra para as gerações futuras. Vocês podem ver o trailer do filme, cujo título em inglês é “The 11th Hour” no YouTube, em http://www.youtube.com/watch?v=7IBG2V98IBY.

Escrito por Cezar T. Chede em 24/05/2008
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  20/05/2008
Ecoeficencia: reinventando a roda

Inovação é um dos principais sustentáculos do sucesso empresarial e inovação em busca de uma maior ecoeficencia será um dos principais fatores competitivos para os próximos anos.
Mas o que é ecoeficencia? Pode ser definida como uma filosofia de gestão empresarial que incorpora gestão ambiental no DNA corporativo. Uma empresa ecoeficiente é uma empresa que está constantemente se inovando, buscando combinar o bom desempenho econômico com a redução do impacto ambiental de seus serviços e produtos.

Para ser ecoeficiente as empresas devem estar constantemente se inovando na:

1) Redução do consumo de recursos naturais (materiais) na produção e uso de seus produtos e serviços;
2) Redução do consumo de energia na produção e uso de seus produtos e serviços;
3) Redução da emissão de substancias tóxicas;
4) Intensificação da reciclagem contínua de materiais;
5) Maximização do uso sustentável dos recursos renováveis;
6) Prolongamento da durabilidade dos seus produtos.

Uma economia ecoeficiente rompe com os atuais paradigmas da economia, perdulária e consumista. A economia ecoeficiente demanda uma nova revolução industrial, onde alcançaremos patamares radicalmente mais produtivos no uso de recursos do que vemos atualmente.

Como conseguir uma melhoria radical no uso dos recursos naturais? Inovação é a palavra chave. Devemos romper com os paradigmas atuais, criar novos modelos de negócios, baseado na economia de serviços, e criar máquinas e equipamentos radicalmente mais eficientes. Devemos reinventar a roda!

Não é uma tarefa fácil. É necessário mudar a cultura empresarial, com a alta administração adotando uma visão ecoeficiente dos negócios e traduzindo esta visão em formas de ação, por todos os processos da empresa, como design e fabricação de produtos, marketing, compras, vendas e pós-vendas. Todo a companhia deve estar engajada e o conceito deve ser repassado a clientes e fornecedores, abrangendo todo o ecossistema em que a empresa está envolvida.

É um desafio e tanto, mas é uma tarefa inevitável. Não é uma questão de se, mas de quando. Quem sair na frente terá vantagens competitivas. Quem não o enfrentar a tempo, provavelmente sairá do mercado...


Escrito por Cezar T. Chede em 20/05/2008
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  05/04/2008
Debatendo indicadores alternativos ao PIB

Volta e meia lemos na mídia notícias sobre o PIB (Produto Interno Bruto) com análises mostrando que um país está crescendo ou não de acordo com a variação do PIB. É uma verdadeira obsessão com este indicador. Mas, gostaria de debater com vocês o real valor deste indicador.

Infelizmente, o PIB não reflete indicadores sociais e ambientais, como melhoria do nível de emprego e qualidade de vida. Um crescimento de 5% do PIB não pode se traduzir diretamente em melhorias percebidas na qualidade de vida da população. E quando acontece esta eventual melhoria, uma má distribuição desta riqueza, concentrada em poucos, não é captada pelo indicador.

O problema é que o PIB reflete um fluxo de riqueza puramente comercial e monetário. Assim, tudo o que se pode vender e que tem valor monetário agregado aumentará o PIB e o chamado desenvolvimento econômico de um país, mas que não necessariamente implica em aumento do bem-estar da sociedade.

Já começam a aparecer alguns indicadores criados com predominância de fatores ambientais, que podem ser usados como alternativa ao PIB. Reconhecendo as limitações do PIB a própria ONU publicou um excelente guia sobre o assunto, chamado “Handbook of Integrated Environmental and Economic Accounting”.

Hoje, o mais conhecido dos indicadores ambientais é a Pegada Ecológica. Este indicador se tornou conhecido a partir da publicação, pelos seus criadores, Mathis Wackernagel e William Rees, no seu livro “Our Ecological Footprint: Reducing Human Impact on the Earth”. A idéia central deste indicador é a seguinte: as atividades humanas de produção e consumo utilizam recursos naturais, alguns dos quais não-renováveis (petróleo e gás natural, por exemplo) e outros renováveis, no sentido que podem se reproduzir ou se regenerar sem a intervenção do homem, como solos e florestas. Somente estes últimos são objetos de interesse da pegada ecológica, por que, segundo seus autores, constituem os problemas mais graves no longo prazo.

O princípio da pegada ecológica é simples: os recursos renováveis utilizados pelo homem em suas atividades podem ser convertidos em superfície do planeta. O cálculo pode abranger toda a humanidade, ou um país, uma empresa ou uma pessoa. Segundo os relatórios do WWF, a pegada ecológica mundial está em 120% do planeta utilizável. Isto significa que a humanidade toma emprestado da natureza, todos os anos, 20% de recursos naturais a mais do que o fluxos anuais de regeneração natural desses recursos.

Mas, porque não vemos esta situação? Primeiro porque esta contabilidade permanece desconhecida e o que não é contabilizado, simplesmente não conta. Além disso, este endividamento não traz consequencias a curto prazo. É um problema para as futuras gerações...Hoje posso ficar rico desmatando uma imensa área florestal para criar gado e se houver um problema ambiental, quem vai pagar o pato são meus netos ou bisnetos, que ainda nem nasceram...Um outro ponto importante é que este endividamento não aparece nos indicadores econômicos.

Atualmente existe uma dicotomia entre meio ambiente e desenvolvimento econômico. Esta visão cartesiana, economia de um lado e meio ambiente de outro é totalmente errônea.

Para entendermos o porque deste paradigma devemos voltar na história da nossa sociedade. Um dos grandes influenciadores das ciências foi René Descartes, que em seu livro Regulae ad Directionem Ingenii, publicado em 1628, desenvolveu um método científico baseado no dualismo da natureza. Entre seus ensinamentos para o raciocínio científico colocou regras como dividir os problemas em suas partes mais simples e resolver os problemas começando pelo mais simples e evoluindo para o mais complexo.

Posteriormente Isaac Newton consolidou o método racional dedutivo de Descartes criando os princípios da mecânica. A partir destes princípios surgiu o paradigma cartesiano-newtoniano.

Este paradigma é o direcionador das ciências ocidentais. Cada campo científico deve ser visto de forma isolada. Assim, meio ambiente é campo de atuação dos ambientalistas. Desenvolvimento e políticas econômicas é o campo de atuação dos economistas. Nós vemos isso no nosso dia a dia. Existe claramente uma divisão de idéias entre ambientalistas, vistos como “bichos grilo” e empresários, vistos como motores do desenvolvimento. A visão cartesiana faz com que hajam claros divisores de água.

Porque é importante começarmos a usar indicadores que incluam meio ambiente em seu conteúdo? Exatamente porque precisamos de uma visão holística da economia, considerando que meio ambiente e as preocupações ambientais não podem ser ignoradas.

Sustentabilidade sócio-ambiental e progresso econômico não podem mais ser considerados como antagônicos!
Escrito por Cezar T. Chede em 05/04/2008
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  24/03/2008
Tem um jogo interessantissimo sobre meio ambiente e sustentabilidade. SAcessem
WWW.POWERUPTHEGAME.ORG/EWEEK/HOME.HTML . O jogo Powerup mostra como salvar um planeta. É grátis!
Escrito por Cezar T. Chede em 24/03/2008
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  22/03/2008
Irresponsabilidade socioambiental

Geralmente ouvimos e lemos empresas falarem que são responsáveis socialmente, estão preocupadas com o meio ambiente. Mas estarão mesmo?

Outro dia pesquisei o site www.propagandasustentavel.com.br e descobri casos de empresas que simplesmente fazem maquiagem de suas responsabilidades socioambientais.

Vale a pena ler os comentários no site sobre algumas propagandas de grandes empresas. O que elas dizem, sabemos que não é verdade!

Na verdade, falam, falam, que estão comprometidas com o desenvolvimento sustentável, mas não fazem. E quando pegas em ações inadequadas, dizem que cumprirão “o que a lei determinar”. Ora, só o fazem porque são obrigadas legalmente? Isto é compromisso socioambiental?

A pressão da socieddae, consumidores e opinião pública tem grande peso. As empresas, pressionadas, passarão realmente a adotarem posturas verdadeiras de compromisso socioambiental. E não apenas a falarem! Afinal falar não custa nada!

Escrito por Cezar T. Chede em 22/03/2008
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  19/03/2008
Preocupação com meio ambiente e os altos executivos

Está claro para todos nós que as pressões para que as empresas adotem ações ambientais está crescendo significativamente. Mas, um recente estudo feito pelo Insead, a famosa escola de negócios francesa, mostrou um quadro ainda muito preocupante. O estudo mostrou que apenas um em cada seis executivos de grandes corporações acha que suas empresas deveriam ajudar na resolução de problemas sociais e ambientais. A preocupação com sustentabilidade ainda é bastante débil no topo das empresas, embora nos escalões mais baixos apareça com mais força. Também acionistas e demais stakeholders tem maior conscientização do problema que os altos executivos.

A pesquisa do Insead mostra que é absolutamente necessário mudar a mentalidade existente na alta administração. Os executivos e os stakeholders tem visões diferentes: os primeiros acham que responsabilidade social e ambiental é apenas não provocar danos sociais e ambientais. Já os stakeholders defendem que a companhia exerça ações efetivas que ajudem a resolver os problemas.

A pesquisa também mostrou que dependendo do setor empresarial, as visões são bem diferentes. Em empresas de alta tecnologia e no setor bancário executivos e stakeholders tem visões semelhantes sobre o papel social da empresa. Já em industrias como química, siderurgia e energia as posições são geralmente antagônicas.

Mas, acredito que ainda vai chegar o dia em que ninguém vai querer trabalhar em uma empresa que despreze os problemas ambientais ou ignore as consequências sociais de sua atividade.
Escrito por Cezar T. Chede em 19/03/2008
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  14/03/2008
Basta de desperdício: a sociedade se conscientizando

Vivemos um paradigma industrial voltado para o desperdício. A quantidade de resíduos sólidos e líquidos além de gases poluentes exalados a cada segundo são um claro indicativo deste desperdício. As cadeias produtivas extraem da natureza as matérias primas, seja na forma de petróleo, minerais ou madeiras, produzem bens materiais e devolvem uma grande parcela desta matéria prima na forma de resíduos. Infelizmente a grande maioria destes resíduos não se recicla, mas torna-se um lixo industrial que se acumula a cada dia.

Um exemplo típico são as latas de refrigerantes e cervejas. Para cada tonelada de bauxita que é extraída, produz-se meia tonelada de óxido de alumínio. Esta meia tonelada de óxido de alumínio gera um quarto de tonelada de alumínio. Na Europa, mais de 80% das latas de cerveja e refrigerantes são jogadas fora após a bebida ser consumida e este alumínio não é reciclado. O desperdício de matéria prima é enorme.

Cada produto produzido pela sociedade consome uma quantidade muito maior de seu peso em matérias primas. Uma tonelada de papel exige quase 100 toneladas de diversos recursos. Estimativas apontam que apenas nos EUA, em uma década, cerca de 226 trilhões de quilos de recursos naturais são transformados em gases e sólidos totalmente improdutivos.

Infelizmente, encaramos o desperdício de forma natural. Nos acostumamos com ele. Quanto não se desperdiça em um engarrafamento de fim de tarde em cidades como São Paulo? Quanto de gasolina, tempo útil dos motoristas, produtividade e desgaste das peças dos veículos são simplesmente desperdiçados? Quanto de perda de tempo não é desperdiçado pela burocracia dos nossos serviços públicos? Tudo isto, se adequadamente contabilizado iria resultar em valores astronômicos. Mas, como não os medimos, simplesmente não avaliamos e não compreendemos quanto custa para todos nós este imenso desperdício de recursos e pessoas.

Devemos conscientizar a sociedade para a natureza perdulária dos nossos processos industriais. Um exemplo é a ainda pouca atividade de reciclagem oriunda do lixo das obras. Apenas em São Paulo são jogados fora 17.000 toneladas de lixo de obras civis todo dia. Como aproveitar sobras de tijolos e cimento? Não poderiam ser utilizados como base de estradas?

Mas reciclar não é apenas questão de querer. É necessário uma legislação adequada que atraia investimentos e torne a atividade economicamente viável. É necessário também uma maior conscientização e comprometimentos das universidades em colocar o tema reciclagem em seus currículos. A academia pode e deve ser uma fonte de estudos e novas idéias que diminuam este imenso desperdício.

Porque não enfatizar nas universidades o estudo de novas formas de processos de fabricação? Os alunos compreendendo desde os primeiros anos de seus estudos (e não apenas na pós-graduação) quanto de desperdício está envolvido nos processos tradicionais e sendo incentivados a pensar de forma diferente não poderiam contribuir com novas idéias e sugestões?

Se aplicássemos sistematicamente formas de economia e reciclagem de material a todo e qualquer objeto que for fabricado, com certeza a economia de matéria prima seria imensa. Teríamos menos espaço verde sendo destruído, menos combustível fóssil afetando mudanças climáticas, menos refugo e poluentes tóxicos e mais abundância de recursos naturais. A vida na Terra agradeceria.

Escrito por Cezar T. Chede em 14/03/2008
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  11/03/2008
Meio ambiente: teoria e prática

Li nos jornais uma pesquisa sobre valores do brasileiro, realizada pela agência Nova S/B em parceria com o IBOPE. A pesquisa mostrou alguns dados interessantes, mas um aspecto importante é a incongruência entre aquilo que ele diz acreditar e seu comportamento na prática.

Ao lado de atitudes no mínimo burras, como o de fechar o cruzamento nas ruas (aliás, acho que no processo de seleção de emprego seria imprescindível a avaliação prática da educação no trânsito, tipo “fecha cruzamento? Não contrata!”), desrespeitar filas e outros absurdos comportamentais, me chamou atenção a questão do meio ambiente. De maneira geral o brasileiro se diz preocupado com o meio ambiente, mas apesar desta consciência ambiental muito pouco é produzido na prática. Existe uma distância muito grande entre a conscientização e a realização de ações efetivas.

Contribui também para a pouca ação o descaso das autoridades frente ao problema. Todos os dias vemos notícias sobre desmatamento, corrupção nos órgãos de fiscalização ambiental, políticos defendendo desmatadores clandestinos, etc. Estas noticias geram um sentimento de decepção e uma percepção que não adianta a pessoa agir quando as autoridades não agem ou pior, agem contra.

Além disso, a pesquisa mostrou que a preocupação com o meio ambiente é restrita à flora e a fauna, ignorando a necessidade de mudar o comportamento nas cidades, economizando água, selecionando e reciclando lixo e não sujando as ruas. O resultado? Temos muito chão a percorrer...Não devemos desanimar, mas perseverar em busca de um mundo mais sustentável. Em vez de culpar os outros pela poluição, maus hábitos e desperdício ambiental, vamos agir. Não adianta nada se vestir de branco e abraçar árvores, sem uma ação concreta posterior. A mudança começa por nós mesmos!
Escrito por Cezar T. Chede em 11/03/2008
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  07/03/2008
O plástico e a degradação acelerada dos oceanos

Muitos ainda se lembram da famosa frase “A Terra é azul” dita pelo astronauta Yuri Gagárin em 1961 ao falar da cor dominante do planeta. Embora a cor azul seja resultado da refração da luz solar, a imagem do planeta água não é de todo impossível. Cerca de 70% da superfície da Terra é coberta por água e desta, 97,5% estão nos oceanos e mares. Toda esta imensidão nos fez acreditar que jamais conseguiríamos afetar os ecossistemas oceânicos de forma significativa.

Mas, começamos a ver claros sinais que estávamos enganados. A ação poluidora do homem está afetando e, em muito, os oceanos do planeta. Um estudo em curso pelo Greenpeace mostra que esta ação é muito mais poluidora que pensávamos, com uma concentração de material plástico atingindo níveis recordes! Segundo um pesquisador, “é absolutamente chocante quando se navega no meio do nada, a milhares de quilômetros da costa e se descobre a alta concentração de plástico na água”.

Algumas pesquisas já mostram que apenas 4% das áreas oceânicas do mundo, localizadas nos pólos, estão imunes à poluição. E nada menos que 40% das regiões oceânicas já registram interferências humanas de alta ou média intensidade.

O lixo plástico é uma das maiores ameaças aos oceanos. Esta substância já é responsável por 70% da poluição marinha por resíduos sólidos. E estima-se que existam pelo menos 46.000 peças de plástico em cada 2,5 quilômetros quadrados de oceanos. Ou cerca de 18.400 peças por quilômetro quadrado. Para se ter uma idéia deste volume, podemos multiplicar a área dos oceanos (361 milhões de quilômetros quadrados) por 18.400 e chegaremos ao incrível numero de seis trilhões, 642 bilhões e 400 milhões de peças de plástico que estão boiando hoje nos oceanos!

Deste total 4/5 chegam ao mar varridos pelo vento ou levados pelos rios e esgotos, e 1/5 lançados pelos navios. A primeira vítima dos plásticos poluidores dos oceanos é a vida marinha. Um exemplo é o lixo plástico na região da ilha de Midway, no Oceano Pacifico que é responsável pela metade das 500.000 mortes de albatrozes que nascem a cada ano na ilha. Os albatrozes alimentam seus filhotes com pequenos pedaços de plástico, que confundem com comida.

Mas a ação destruidora do homem não se limita à poluição pelo plástico. Tem muito mais... A pesca predatória, por exemplo, tem causado o colapso de ecossistemas marinhos em grande parte dos oceanos. O volume de pescado estagnou na ultima década e a pesca comercial baseada na prática do arrasto é altamente perdulária, com cerca de 25% do volume pescado sendo descartado. Algumas espécies como o atum estão ameaçadas de extinção e outras como o bacalhau já mostram queda acentuada de sua população e cerca de 25% das espécies comerciais estão superexploradas.

Mas não é só a pesca predatória que afeta os oceanos. Resíduos da atividade humana, como dejetos industriais, fertilizantes e substâncias químicas vão parar nos mares alterando a sua composição química, pois favorecem a proliferação de bactérias e algas, que por sua vez consomem o oxigênio da água, sufocando corais e comprometendo a cadeia alimentar.

As algas tóxicas envenenam mamíferos marinhos que se alimentam, de sardinhas e enchovas que por sua vez, se alimentam destas algas. As toxinas provocam tremores, convulsões e comportamentos agressivos, colocando em risco a sobrevivência dos espécimes. As toxinas também enfraquecem o sistema imunológico dos animais marinhos, tornando-os vulneráveis a parasitas, bactérias e vírus. Já se encontraram no Havaí tartarugas marinhas com tumores do tamanho de uma maçã em volta dos olhos, na boca e atrás das nadadeiras.

As algas tóxicas também geram as conhecidas marés vermelhas, que são elevadas concentrações destas algas em águas próximas do litoral. A incidência destas marés vermelhas está cada vez maior. Por exemplo, no Golfo do México, há uma década atrás acontecia uma a cada dez anos e hoje acontece todo ano e que pode durar meses. As toxinas produzidas pelas marés vermelhas matam peixes e podem causar reações alérgicas nos seres humanos e mesmo provocar infecções intestinais caso sejam consumidos frutos do mar obtidos de regiões onde a maré vermelha ocorreu. Marés vermelhas são um claro sintoma de um oceano doente.

Também as emissões de dióxido de carbono afetam os oceanos. Parte destas emissões vai para atmosfera e forma o chamado efeito estufa. Outra parte vai parar nos oceanos e torna a água mais ácida. O dióxido de carbono, em contato com o mar, se transforma em ácido carbônico e altera o nível de acidez – o chamado pH – da água. Nas últimas décadas o nível de acidez vem se reduzindo sistematicamente e caso mantenha este redução até o fim do século, o nível de acidez dos mares será vinte vezes maior que hoje. Muitas espécies de peixes e mamíferos marinhos simplesmente não sobreviverão.

A poluição pode afetar os ecossistemas marinhos de forma irremediável. Vamos dar exemplo: um fluxo constante de água doce contaminada com resíduos de insumos agrícolas e esgotos industriais e humanos é lançado no mar. Como a água doce não se mistura com as camadas mais profundas da água salgada do mar, criam-se duas camadas de água. A camada mais profunda é mais salgada e mais densa. A mais superficial, contaminada pelo excesso de nutrientes gerados pela poluição, favorece a proliferação de algas. Estas algas, ao morrerem, são depositadas no solo marinho, onde são degradadas por bactérias que consomem boa parte do oxigênio da água. E por causa dos baixos níveis de oxigênio, a vida marinha entra em colapso. Cria-se o que chamamos de zonas mortas. Segundo a ONU, o número de zonas mortas nos oceanos vem dobrando a cada década.

Hoje já existem pelo menos 150 zonas mortas, sendo que uma delas está no entrono da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Para se ter uma idéia da degradação da baía, ela recebe 20.000 litros de esgoto por segundo, que somado aos resíduos químicos industriais que deságuam sem tratamento fizeram cair o nível de oxigênio da água a um nível tão baixo que devastou a vida marinha.
Escrito por Cezar T. Chede em 07/03/2008
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  04/03/2008
Automóvel: não podemos viver sem ele, mas podemos viver com ele?

Há poucos dias saiu na mídia que a cidade de São Paulo atingiu a marca dos seis milhões de veículos. Sem dúvidas que o automóvel é essencial para nossa sociedade. Não podemos viver sem ele...Mas será que podemos viver com ele?

Não olhando os inevitáveis congestionamentos, mas analisando pela ótica do seu impacto ambiental, identificamos que ele é o principal produtor de poluição do ar, consome mais petróleo que qualquer outra atividade humana e é causador, por acidentes de trânsito, de mais de um milhão e duzentas mil mortes e mais de 30 milhões de feridos, por ano, em todo o mundo. E é impossível contabilizar o número de animais mortos nas ruas, estradas e rodovias.

E o que acontecerá aos recursos naturais do nosso planeta quando a população de automóveis dobrar, dos atuais 600 milhões para 1,2 bilhões de veículos, como se espera, até 2020, pelo crescimento econômico da China, Índia e outros países asiáticos?

Primeiro, as reservas de petróleo vão se esgotar. Pelo atual consumo de 83 milhões de barris por dia, estima-se que as reservas conhecidas e provadas de um trilhão de barris seja consumida em 33 anos. Mas projetando-se este aumento brutal no número de veículos, a demanda por barris de petróleo passará para 120 a 140 milhões de barris por dia, consumindo-se as reservas em pouco mais de dez a quinze anos. As guerras pelo petróleo acontecerão com mais freqüência.

O barulho e a poluição constante afetarão o sono, a concentração, a inteligência e aumentarão significativamente a ocorrência de doenças como asmas, enfisemas, bronquites e cardiopatias. A emissão de gases impactará mais ainda a já precária estabilidade climática e conseqüentemente a agricultura. Os resíduos gerados pelos veículos, em todo seu ciclo de vida, aumentarão tremendamente.

As mortes e ferimentos causados por acidentes aumentarão exponencialmente. No ritmo atual dos acidentes de trânsito, estima-se que em 2020 morrerão mais de dois milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Acumulando-se o total de mortes no período, teremos mais de 37 milhões! É aproximadamente o mesmo número de soldados mortos em batalha em todas as guerras do século vinte!

O stress no ambiente natural será imenso. Para produzir este imenso volume de automóveis com os mesmos materiais usados hoje, serão necessários 120 bilhões de metros cúbicos de aço por ano. Também serão necessárias mais estradas e conseqüentemente mais espaço roubado de ambientes naturais: mais degradação ambiental...

O mundo não suportará tal pressão em seu ambiente natural. É urgente a necessidade de buscarmos novas tecnologias, novos materiais e novos meios de transporte público. Nós temos que compreender que o planeta não agüentará tantas agressões impunemente. As reações já se fazem sentir: aumento da temperatura global, maior incidência de furacões e ocorrência de invernos mais intensos na Europa. A cadeia produtiva da indústria automotiva tem que se tornar mais eficiente, reciclando os materiais utilizados (do metal ao plástico, dos pneus às caixas de papelão que envolvem as peças). Uma nova cultura, menos dependente do automóvel deve ser criada. Entretanto, tudo isso não acontecerá de um dia para o outro. Mas quanto mais cedo acordarmos e começarmos a reagir, melhor. Se demorarmos, poderá ser tarde demais...

Escrito por Cezar T. Chede em 04/03/2008
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  29/02/2008
Lixo eletrônico: o que fazer?

Estamos vivendo na sociedade da informação. O Brasil está se inserindo neste contexto e somente no ano passado foram vendidos no nosso país mais de 10 milhões de microcomputadores. Estima-se que em 2015 poderemos ter 100 milhões de PCs instalados no país. Fomos também o terceiro país em ritmo de crescimento de celulares (perdendo apenas para China e Índia), com mais 21 milhões de celulares vendidos. Nos celulares, por exemplo, já chegamos a quase 123 milhões, com uma densidade de 64,5 aparelhos por 100 habitantes.

A realidade é que o mundo está se informatizando. Algumas estimativas apontam que já existem mais de um bilhão de computadores pessoais e pelo menos 3,3 bilhões de celulares no mundo. É uma boa noticia, mas por outro lado apresentam um novo e sério problema quando de seu descarte.

Alguns estudos feitos nos EUA vêm mostrando que o lixo eletrônico já é responsável por mais de 70% das contaminações por metais pesados e 40% da contaminação por chumbo registrados em aterros americanos. Chumbo é um dos elementos que entram na composição dos antigos monitores de vídeo e o cádmio, usado nas baterias recarregáveis e conectores pode prejudicar os rins e os ossos.

Celulares e microcomputadores tornam-se em pouco tempo obsoletos. No Brasil, por exemplo, dos mais de 20 milhões de celulares vendidos ano passado, pelo menos uns 10 milhões foram comprados por usuários que trocaram de aparelho. O que foi feito dos aparelhos substituídos? Para os próximos anos, a estimativa é o mercado continuar comprando na faixa dos 20 a 25 milhões por ano, com a maioria sendo comprada para substituir aparelhos mais antigos.

No mundo todo se estima que em 2007 cerca de vinte milhões de computadores foram descartados. E para este ano, o número deverá ser similar. Também foram descartados cerca de 200 milhões de aparelhos de TV!

Infelizmente, aqui no Brasil não temos regras claras referentes ao descarte eletrônico. Apenas baterias de níquel-cádmio têm uma resolução, a de número 257/99 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que estipula obrigatoriedade do seu recolhimento e reciclagem, embora sem estipular sanções para seu descumprimento.

Sem uma estratégia clara para o descarte de lixo eletrônico, podemos ver estes equipamentos sendo jogados nos lixões das periferias das grandes cidades.

Se desmontarmos um computador pessoal vamos identificar vários materiais perigosos. A lista é extensa e vamos citar alguns exemplos. Um estudo completo pode ser encontrado em http://www.greenpeace.org/international/press/reports/toxic-tech-chemicals-in-elec:

a) Chumbo: usados nos monitores tradicionais de tubos de raios catódicos, que contém entre 1,8 e 3,6 quilos deste material. O chumbo é tóxico para os rins e os sistemas reprodutivo e nervoso. O metal também inibe o desenvolvimento mental de bebês e fetos.
b) Bário: usado no painel frontal do vídeo para proteger os usuários da radiação. A exposição inadequada ao bário pode provocar inchaço cerebral, fraqueza muscular e danos ao coração.
c) Plásticos: um computador pode ter mais de 6 quilos deste material (nas placas de circuito impresso, conectores e coberturas plásticas) e, que queimado pode formar toxinas.
d) Berílio: usado nas placa-mãe e conectores, podendo ser agente cancerígeno.
e) Mercúrio: usado nas lapadas dos monitores de tela fina, em conectores e placas de circuitos impressos. Pode provocar problemas no cérebro e rins.
f) Cádmio: usado em resistores de chips e semicondutores. Está relacionado com problemas nos rins.

Estudos das Nações Unidas (UN Environment Programme) mostram que de 20 a 50 milhões de toneladas de equipamentos elétricos e eletrônicos são descartados anualmente no mundo todo. Nos EUA, cerca de 50 milhões de computadores vão para o lixo todos os anos e no Japão, em 2010, já terão sido descartados 610 milhões de celulares. O consumo desta imensa quantidade de matéria prima, além da possibilidade de contaminação pelo seu descarte descuidado, demanda pressão muito grande nos recursos naturais. Uma estratégia de reciclagem pode fazer com que a imensa quantidade de material encontrada nestes equipamentos seja reaproveitada em novos equipamentos.

Por exemplo, se fizermos uma autópsia em um celular vamos encontrar os seguintes materiais:
a) Invólucro da capa: policarbonato ABS (acrilonitrilo butadieno estireno) e plástico, derivado de petróleo.
b) Bateria: lítio, plástico, cobre, níquel, estanho, ouro e silício.
c) Circuitos: fibra de vidro de areia de sílica e cobre.
d) Chip: silício, cobre, alumínio, outro, estanho, níquel e plástico.
e) Tela de LCD: areia de sílica, óxido de estanho e índio(eletrodos), plástico, nitreto de índio-gálio, cobre, prata e substância fosforescente de granada de ítrio-alumínio dopado com cério (iluminação da tela).
f) Câmera e lentes: silício, cobre, níquel, ouro e plástico.

Existe um campo imenso a ser explorado que é o reaproveitamento da matéria prima embutida nos aparelhos e equipamentos que são descartados anualmente pela sociedade.

A indústria atual trabalha com o conceito de “obsolescência programada” já planejando o futuro (e rápido) descarte dos produtos que fabrica. Um eletrodoméstico, quando apresenta defeito, é substituído por outro mais novo e quase nunca é consertado. Muitas vezes porque o custo deste conserto é quase igual ao preço de um novo.

Temos que acelerar os programas de reciclagem e recondicionamento de celulares e computadores. Já existem alguns programas em ação no Brasil, mas ainda são muito poucos.

O recondicionamento de computadores antigos poderia ser uma excelente fonte de suprimentos para as escolas do país. No Brasil existem mais de 180.000 escolas públicas e cerca de 5.000 bibliotecas que poderiam ser beneficiadas com programas de reciclagem de máquinas antigas.

Também devemos rever as cadeias de produção e não apenas focar atenção na eficiência da composição do produto (sentido da extração da matéria prima para a fabricação e venda), mas na sua decomposição, ou seja, a partir do produto descartado, como reaproveitar seus componentes?

Esta decomposição implica em analisar o ciclo de vida do produto ao contrário, começando com as questões relativas a seu descarte e reutilização, e depois olhando a redistribuição destes produtos pela cadeia de reciclagem e seu reaproveitamento em outras linhas de produção. Este novo conceito deve mudar o modelo empresarial atual, diminuindo as pressões para o contínuo lançamento de novos produtos, que geralmente são produzidos com diferenças quase cosméticas entre eles e os anteriores.

Produtos eletrônicos poderiam ser atualizados por kits de modernização e modificações no seu software embarcado, diminuindo a ênfase na aquisição de novos aparelhos. Esta mudança conceitual obrigaria a indústria a se redesenhar, saindo do modelo de negócios direcionado por produto (product-driven business) para um modelo baseado em serviços (services-driven business). Este novo modelo tem a vantagem de criar laços mais fortes entre os fabricantes e seus clientes, o que nem sempre acontece hoje, quando o consumidor troca facilmente a sua marca de eletrodoméstico ou celular, muitas vezes atraído por promoções comerciais.

Este novo modelo é baseado no que podemos chamar de “cadeia ou rede de suprimentos reversa”. Para isso acontecer é provável que novos atores apareçam no mercado, como empresas que se focalizem no gerenciamento do ciclo de vida dos produtos e se responsabilizem pelas atividades de redistribuição dos produtos descartados.

Os processos industriais também deverão ser revistos, contemplando como fonte básica de matéria prima não a exploração de recursos naturais, mas principalmente o reaproveitamento de componentes extraídos de produtos descartados. Para termos uma idéia deste potencial, segundo a AEA Technology, em 1998 na Europa, poderíamos encontrar nos seis milhões de toneladas de equipamentos elétricos e eletrônicos descartados, 2,4 milhões de toneladas de metal ferroso, 652.000 toneladas de cobre, 336.000 toneladas de vidro, 1,2 milhões de toneladas de plástico e 36.000 toneladas de alumínio!

Também será necessário que novas leis e regulações sejam estabelecidas, para incentivar (sair da inércia) este modelo. E será fundamental a participação dos cursos de engenharia, logística e administração, revendo seus currículos, e de toda a sociedade, cada vez mais conscientizada, exigindo que as empresas sejam menos destruidoras dos recursos naturais.




Escrito por Cezar T. Chede em 29/02/2008
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  27/02/2008
A difícil transição para fontes de energia sustentáveis


A Agencia Internacional de Energia diz que o consumo de energia em 2030 será de 50% a 70% maior que hoje, e este crescimento será sustentado por petróleo e carvão, dois dos maiores emissores de gases poluentes que causam o efeito estufa. No cenário da Agência, o mundo, que consome hoje 83 milhões de barris de petróleo por dia, estará consumindo algo como 118 milhões de barris/dia. Ou seja, serão pelo menos mais 35 milhões de barris por dia. De acordo com estas noticias, podemos concluir que as emissões de gases poluentes não só vão continuar, mas aumentarão significativamente, a despeito do Tratado de Kyoto.

Mas, podemos pensar de outra maneira. Novas tecnologias que permitem fontes alternativas e limpas de energia estão aparecendo, como a eólica, a solar, a geotérmica e o hidrogênio. Embora muitas ainda sejam vistas como futurologia, sua evolução tecnológica deve se acelerar exponencialmente nos próximas décadas. De maneira geral tendemos a fazer previsões de forma linear, subestimando a intensidade das mudanças. A pressão da sociedade diante dos efeitos climáticos adversos causados pelas fontes poluidoras (e seu alto impacto econômico, maior que a receita das indústrias petroleiras) tenderão a acelerar de forma substancial os avanços tecnológicos destas fontes alternativas. As próprias petroleiras já começam a reconhecer que diante da ameaça real do aquecimento global, torna-se necessário mudar. Claro que pretendem postergar ao máximo seus lucros com os combustíveis atuais, mas a mudança da economia energética baseada no carbono para a economia baseada no hidrogênio é algo que elas terão que enfrentar.

O hidrogênio é uma das maiores apostas da indústria automobilística, uma vez que não emite poluentes, apenas água e calor. As principais dificuldades técnicas já foram superadas, como o tamanho do tanque de combustível, que era três vezes maior que o do automóvel convencional e hoje já é do mesmo tamanho e a autonomia que não ia além dos 200 quilômetros e hoje já é o dobro.

Claro que não será uma transição de um dia para o outro. As transições da madeira para o carvão e deste para o petróleo também não ocorreram de um dia para o outro. Mas, considerando que hidrogênio também é um gás, poderemos ter no futuro os gasodutos, tanques de armazenagem e postos de abastecimento (a infra-estrutura preparada para o gás natural), adaptadas para o hidrogênio, sem mudanças radicais.

Escrito por Cezar T. Chede em 27/02/2008
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  25/02/2008
TI verde no horizonte...

Uma conceituada empresa de análises da indústria de Tecnologia da Informação (TI) que é o Gartner Group, anunciou, entre suas previsões para os próximos anos uma maior ênfase no que podemos chamar de “TI verde”:

1. Até 2009, as empresas estarão colocando como pré-requisitos de compras de produtos e serviços de informática itens que indiquem comprovadamente o respeito ao meio ambiente, com menor consumo de energia.
2. Até 2010, 75% das empresas terão como pré-requisito de compra de hardware certificado de emissão de carbono e uso otimizado de energia.
3. Até 2010, os maiores fornecedores de tecnologia vão precisar provar suas credenciais verdes por um processo de auditoria.
Escrito por Cezar T. Chede em 25/02/2008
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  23/02/2008
Conscientização ambiental

Reduzir o aquecimento global é talvez a questão mais importante a ser enfrentada pela sociedade humana nas próximas décadas. A busca por uma maior eficiência deverá acarretar um processo acelerado de inovações tecnológicas, provavelmente criando uma nova revolução industrial. As matérias primas não são renováveis e está ficando bem claro que no ritmo atual elas estarão se esgotando em poucas décadas.

Um ponto importante, mas que não era visto com prioridade pelo setor produtivo é a eficiência energética. Sempre foi considerada como apenas mais um componente do ciclo de produção, como capital, recursos materiais e mão de obra. O resultado é que durante muito tempo não houveram maiores avanços na racionalização do uso de energia. Com as crises do petróleo e uma maior conscientização ambiental o cenário começou a mudar e hoje já vemos a busca por esta maior eficiência na pauta prioritária da maioria das empresas do setor produtivo.

O que devemos ver como mudanças nos próximos anos? Com certeza veremos uma sociedade muito mais preocupada com eficiência energética. Para isso devemos desde já incutir esta conscietização nas escolas e na sociedade, acelerando as pressões para que a indústria como um todo se torne mais eficiente energéticamente. O brasileiro aos poucos se conscietiza. Uma pesquisa do Instituto Akatu mostrou que 34% da nossa população tem percepção sobre responsabilidade socioambiental e levam isso em conta na hora de comprar. Isso significa que já cobram das empresas contribuições efetivas para o desenvolvimento sustentável da sociedade.

A conscientização ecológica e a sustentabilidade do meio ambiente não deve ser apenas preocupação dos cidadãos, mas as empresas, sejam elas públicas ou privadas devem exercer papel pró-ativo. Consciência ecológica deve ser parte integrante da filosofia (o DNA cultural) da empresa e não ser simplesmente uma ação marqueteira, de simples reação à pressões da sociedade.

Como fazer isso? O primeiro passo é a conscientização ecológica em todos os níveis de funcionários, dos mais simples à diretoria executiva. Esta conscientização passa pela sensibilização da importância do meio ambiente à própria existência da vida na Terra. Mas conseguir esta conscientização demanda um esforço muito maior que a simples distribuição de cartilhas e prospectos. Ningém se sensibiliza se realmente não conhecer o problema e sentir que ele o está ou estará afetando. Assim, é importante desenhar ações que façam os funcionários sentir de perto o problema. Os funcionários devem se sentir comprometidos com a responsabilidade ambiental.

O segundo passso é a empresa mostrar que não são apenas os funcionários que estão sensibilizados, mas que ela também atua próativamente na busca pela preservação do meio ambiente. Para isso deve implementar ações concretas para reduzir o desperdício em sua cadeia produtiva e no seu processo de fabricação de produtos.
Neste ponto é importante criar e divulgar métricas que meçam o impacto de seus produtos no meio ambiente, antes e depois das medidas de redução do desperdício. Estas métricas podem considerar indicadores como o uso de recursos naturais na fabricação, emissões na atmosfera, efluentes contaminantes e resíduos sólidos gerados durante os processos produtivos.

Como medir este impacto? Uma maneira prática é analisar o ciclo de vida do produto, desde a obtenção de sua matéria prima até sua comercialização e descarte, considerando nesta etapa final seu tempo de absorção pela natureza. Nesta análise avalia-se os processos produtivos (como é extraída a matéria prima) e os desperdícios que inevitavelmente ocorrem ao longo da cadeia.
Envolver os funcionários através de incetivos à geração de idéias que reduzam este impacto ambiental, com premiação em bônus é uma maneira bem positiva de mostrar o empenho da empresa com a sustentabilidade do meio ambiente.

Infelizmente ainda vemos muitas empresas sem uma verdadeira conscientização ecológica. A busca pelo lucro a qualquer preço, mesmo às custas de degradação do meio ambinte ainda é a tônica de muitas delas. Vemos empresários, com apoio de políticos, todos sem nenhuma visão ecológica, devastando a natureza em troca do lucro imediato.

A sociedade deve estar alerta para estes maus empresários. Deve exigir que a legislação ambiental seja realmente cumprida e deve fazer o seu papel, até mesmo boicotando produtos que sejam produzidos às custas de degradação ambienal.
A lesgislação, por sua vez, também deve responsabilizar não apenas os gestores da empresa, mas seus acionistas. Apenas com o esforço de todos, cidadão, governo e empresas é que conseguiremos reverter esta situação quase catastrófica em que nos encontramos hoje.

Escrito por Cezar T. Chede em 23/02/2008
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  20/02/2008
Porter e a responsabilidade corporativa

Michael Porter, hoje a maior referência mundial em estratégia tem voltado sua atenção para a questão da responsabilidade corporativa. Recentemente li o seu último artigo, escrito em fins de 2006, e publicado pela Harvard Business Review.
Neste post vou fazer um apanhado de algumas de suas idéias, que acredito sejam muito importantes e devem ser conhecidas.

Ele chama atenção para o fato que muitas empresas ainda encaram responsabilidade social corporativa como um simples instrumento de marketing ou de relações públicas. Segundo ele ainda existem muitas empresas no chamado primeiro estágio da responsabilidade social, aquele em que as empresas estão apenas reagindo a pressões políticas. Mas, já existem, por outro lado, muitas outras que entraram no segundo estágio, quando perceberam que responsabilidade social poderia ser positivo e que deveriam ser proativas.

Quanto a estar neste segundo estágio, ele alerta que existem muitas que não investem adequadamente, sem uma estratégia bem definida, sem terem feito análises mais rigorosas de onde investir. Ou seja, mais destaque para o “quanto” estou gastando e menos para “como” estou gastando...Ele cita o exemplo da Petrobras que investe muito em coisas bem diversas, como combater analfabetismo, fome, incentivar a cultura e assim por diante. Segundo ele é uma tentativa de ser socialmente responsável, mas que não é a melhor maneira de ser...

Para Porter é absolutamente necessário ter um foco estratégico. Um exemplo do que seria foco estratégico é um banco ajudar a população de baixa renda a poupar, porque é disso que o banco entende. Outra empresa citada por ele é o varejista americano Whole Foods, cuja proposição de valor é vender produtos orgânicos ou naturais para consumidores que se preocupam com a comida que ingerem e com o meio ambiente. A empresa não coloca à venda produtos que contenha qualquer um dos cem ingredientes que ela considera nociva à saúde humana ou ao meio ambiente. Ela também criou uma fundação que luta para que os animais sejam criados e abatidos de maneira digna.

Ele recomenda aos executivos a compreenderem o fenômeno do aquecimento global, seus impactos na sociedade, economia e nos próprios negócios. A estratégia a ser adotada é economizar energia e minimizar desperdício, fatores que ao longo dos próximos anos vão reconfigurar toda a estrutura das corporações. Segundo ele é necessário repensar a logística e as relações com fornecedores. As empresas serão forçadas a comprar mais localmente e muitos modelos de negócio considerados eficientes hoje terão que ser reinventados. Ele cita o exemplo do comércio eletrônico pela Internet, que considera um dos mais ecologicamente incorretos, pois demanda um modelo de transporte por longas distâncias.
Escrito por Cezar T. Chede em 20/02/2008
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  15/02/2008
Economia Verde

Todo cenário de mudanças traz dentro de si riscos e oportunidades. A perspectiva de uma maior aceleração de restrições legais e econômicas impostas pela ameaça do aquecimento global não deve ser visto como risco aos negócios, mas como oportunidades de ganhos financeiros e de novos negócios.

Um recente estudo publicado por uma ONG inglesa, The Climate Group, mostrou que já existe um fenômeno chamado economia verde, ou, negócios criados pela mudança de conscientização ambiental.
Alguns exemplos são bem interessantes:

1. Em 2010 espera-se que já sejam vendidos no mundo todo, por ano, cerca de um milhão de carros híbridos.
2. A indústria de energia renovável já emprega cerca de dois milhões de pessoas. Somente na Alemanha já são 170.000 pessoas e até 2020 serão criadas mais 100.000 vagas. A Inglaterra espera também que nos próximos oito anos cerca de 100.00 vagas seja criadas neste setor.
3. Em 2006 os IPOs de fabricantes de tecnologias limpas movimentaram dez bilhões de dólares de investimentos.
4. A energia eólica, por si, demandou em 2006 um investimento de 23 bilhões de dólares em instalação de equipamentos.
5. O mercado de créditos de carbono movimentou em 2006 cerca de 30 bilhões de dólares.
6. Estima-se que 2015 o mercado de produção e processamento de biocombustíveis vai movimentar 52 bilhões de dólares.
7. E cerca de 700 bilhões de dólares serão movimentados por toda a indústria de energia renovável, isto até 2010!

O que isso signfica? Que o mundo dos negócios está descobrindo que pode-se ganhar dinheiro e salvar o mundo, ao mesmo tempo!!! O que os executivos das empresas devem fazer? Compreender a magnitude deste movimento e não ficar para trás...
Escrito por Cezar T. Chede em 15/02/2008
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  12/02/2008
Vai faltar água no século 21

Para todo mundo a água é a substância mais comum e conhecida na natureza. O motivo é óbvio: ela é procurada e usada por todos os seres vivos, quando conduzidos pela sensação da sede. O aspecto cotidiano da água, sem cheiro, cor ou sabor, nos levam a aceitar que a água é algo vulgar, sem nada de extraordinário e sempre disponível, e é só abrir a torneira e ele está lá, disponível. Além disso, vemos funcionários de prédios lavando calçadas com ela, jogando milhares de litros literalmente pelo ralo. Enfim, como não moramos no sertão nordestino, a água não é problema...

Ela está espalhada pelo planeta. Sua quantidade parece não ter fim. Algumas estimativas apontam que o total de água na Terra seria de aproximadamente 1.455.000.000 km cúbicos (um bilhão quatrocentos e cinqüenta milhões de km cúbicos). Como um km cúbico corresponde a um bilhão de metros cúbicos, o total geral será de um quintilhão, quatrocentos e cinqüenta e cinco quatrilhões de metros cúbicos. Diante deste número, porque se preocupar com uma escassez de água?

A realidade é outra: embora dois terços da superfície do planeta sejam cobertos de água, uma em cada três pessoas não dispõe desse líquido em quantidade suficiente para atender às suas necessidades básicas. Mas a verdade é que a humanidade desperdiça (e polui) e muito a água. Se continuarmos neste ritmo de desperdício, em quarenta anos, serão dois terços da população mundial que estará vivendo sob escassez de água! Sim, dois em cada três habitantes do planeta!

Mas vamos lembrar alguns pontos:
1) Apesar de haver muita água no planeta, ela não é infinita, mas sim um recurso finito, porque existe em quantidade finita na Terra. A quantidade de água não aumenta!
2) A porção de água doce disponível para nós e os demais seres vivos é apenas uma pequena parcela deste total. Para termos uma idéia melhor, vamos imaginar que a quantidade de água da Terra seja de 100 litros. Deste total cerca de 95 litros são de água salgada e estão nos oceanos. Do restante, água doce, a maior parte está nas geleiras e calotas polares ou mesmo embebidos na parte sólida do planeta. Assim, apenas 0,05 litros ou dois copos e meio estão disponíveis para toda a humanidade e demais seres vivos. Faz sentido desperdiçar ou poluir este recurso que agora nos parece bem limitado? Quando poluímos ou desperdiçamos um recurso finito, isso não é um absurdo?

Nos últimos 100 anos a população do planeta quadruplicou, enquanto a demanda por água aumentou por oito. Já usamos metade das fontes de água doce da Terra. Em quarenta anos estaremos usando 80%.

O Brasil está em situação confortável (pelo menos se você não viver no sertão nordestino...) pois temos cerca de 8% da reserva de água doce disponível no mundo e portanto estamos em situação privilegiada. Isto significa que não precisamos fazer nada? Pelo contrário, devemos começar a nos preocupar desde agora. Devemos enfatizar campanhas para economizar água, desde uso doméstico, mas também na agricultura e na indústria. A irrigação, por exemplo, consome 70% de toda a água doce do mundo e poderia ser mais eficiente se adotasse intensamente sistemas de gotejamento e borrifação.

Alguns exemplos de gastança de água:
1) Para produzir um simples ovo precisa-se de 1.000 litros de água;
2) Para um quilograma de arroz, precisamos de cinco toneladas de água;
3) Um quilograma de algodão necessita de 10.000 litros de água;
4) A produção de um barril de petróleo exige 30 toneladas de água;
5) Um quilograma de trigo consome tonelada e meia de água;
6) Para produzir uma tonelada de papel precisamos de 75 toneladas de água;
7) Uma piscina de tamanho médio exige pelo menos um milhão de litros de água...

O século 21 assistirá inúmeros choques e conflitos e alguns já estão em andamento, principalmente nas regiões mais secas da Terra. O valor da água doce no mercado mundial subirá sempre mais e sem controle. O Brasil com seu imenso potencial disponível na região amazônica deverá ter um papel importante neste contexto. E claro que esta região desperta cobiça pelo seu potencial e valor... Devemos cuidar bem dela!
Escrito por Cezar T. Chede em 12/02/2008
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  08/02/2008
Poluição e Jogos Olímpicos

A China tem tido um crescimento fantástico, com uma das economias que mais crescem no mundo e considerado um modelo a ser imitado. Mas este crescimento econômico acontece às custas de uma elevadíssima degradação do meio ambiente.

O resultado desta poluição pode inclusive afetar os Jogos Olímpicos, que acontecerão este ano em Pequim. A poluição atmosférica nesta cidade é tão grande (o ar de Pequim registra concentração de poluentes quase cinco vezes mais alta do que é considerado seguro pela OMS) que pode atrapalhar o desempenho dos atletas, sobretudo nas provas de longa duração praticados ao ar livre, como ciclismo, maratona e futebol.

O próprio Comitê Olímpico alerta que poderá adiar provas caso os níveis de poluição ameacem a saúde dos atletas. Muitas delegações vão chegar a Pequim apenas três dias antes das provas, para que a poluição não afete demasiado o desempenho dos seus atletas. Além disso, muitas delegações vão adotar máscaras para serem usadas pelos atletas até o momento das provas. Estas máscaras especiais ajudam a reduzir o nível de poluição em até 85%. Ao contrário de fatores como altitude ou temperatura, a poluição não permite aclimatação: quanto mais ar poluído for ingerido, pior!

É verdade que o governo chinês tem agido intensamente para diminuir esta poluição, mas ainda falta muito a ser feito. Um exemplo interessante é que recentemente foi proibido na China o uso de sacolas plásticas nos supermercados. Os chineses consomem diariamente três bilhões de sacos plásticos. Para produzi-los o país precisa refinar 37 milhões de barris de petróleo por ano. Este volume é suficiente para encher o tanque de 118 milhões de veículos.

E aqui no Brasil? Nós consumimos 44 milhões de sacos plásticos por dia...Será que não vale a pena implementarmos medidas deste tipo? Na Europa, muitos paises também já estão adotando proibições quanto ao uso destas sacolas plásticas.

E falando em plástico, vemos nas gôndolas dos supermercados que as embalagens feitas com este material estão eliminando as antigas embalagens de lata. Por exemplo, a indústria de óleo de cozinha que em 1977 embalava 88% em lata, hoje usa este material em apenas 17% das suas embalagens. O restante são embalagens de plástico. E quais são as conseqüências?

O tempo de degradação da lata é de dez anos enquanto o plástico necessita de pelo menos 100 anos, ou dez vezes mais. A conservação do óleo pode chegar a doze meses na lata e é de apenas três meses no plástico. Além, disso o plástico exige conservantes, porque permite a entrada de luz, coisa que não acontece nas embalagens de lata. Por último, a lata permite reciclagem.

Então, por que tem sido feita esta troca? Porque o custo unitário da lata é de 40 centavos enquanto a de plástico é de 32 centavos. Assim, por razões imediatistas (oito centavos a menos por lata) estamos aumentando a degradação do meio ambiente!.

Que seria necessário? Medidas que estimulassem o uso de embalagens de latas. O que não podemos é ficar parados assistindo a lenta degradação do nosso planeta!
Escrito por Cezar T. Chede em 08/02/2008
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  05/02/2008
De volta...
Depois de uma longa ausência, motivada por razões de trabalho (muito...) e recentemente por férias, estou retornando o blog. Pretendo continuar escrevendo sistematicamente, pelo menos uma ou duas vezes por semana.

O que continuamos a ver? Muita conversa, mas poucas ações realmente concretas tem sido feitas na direção de um mundo mais sustentável. Aqui no Brasil vemos o recrudescimento do desmatamento, onde 7.000 quilômetros quadrados da floresta sumiram somente no ultimo semestre de 2007. Na verdade fica claro que a queda do desmatamento que ocorreu em 2004-2005 era, principalmente, resultado de preços baixos para a soja e o boi, o que desestimulava os investimentos dos sojicultores e pecuaristas, que portanto, não ampliavam o desmatamento. Como os preços destas commodities estão aumentando, o desmatamento voltou a aumentar. É absolutamente necessário que o governo seja mais enérgico e atuante e não tente “esconder o sol com a peneira”, como vimos recentes declarações da ministra Marina da Silva e do presidente Lula.

Outro dia li uma notícia interessante. Está surgindo na Europa uma nova categoria de jovens, os extremistas verdes. Este pessoal já representa algo em torno de 25% de sua geração, entre 16 e 24 anos. Estes jovens estão dando à sociedade uma lição muito legal, adotando hábitos de vida ecologicamente corretos no seu consumo e na sua vida pessoal.
Uma pesquisa recente mostrou que 70% deles acham que os alimentos só deveriam ser embalados em material descartável e 58% pagam mais por um alimento se tiverem certeza de que ele não prejudica o meio ambiente. E interessante, 33% não se tornariam amigos de alguém que não se importa com o meio ambiente.
Escrito por Cezar T. Chede em 05/02/2008
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  26/12/2007
Pessoal, um bom 2008 para todos. Após o carnaval, ao voltar de viagem, reativarei o blog. Não com a mesma periodicidade anterior, mas tentarei pelo menos levantar uns 2 ou 3 posts por mês. abraços.
Escrito por Cezar T. Chede em 26/12/2007
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  28/08/2007
Meus amigos, devido a compromissos profissionais terei que ficar fora do ar ainda umas duas semanas. Sinto falta de levantar posts aqui no blog, interagir com vocês, mas as 32 horas do dia nâo estão sendo suficientes. Desculpem e até daqui a algumas semanas.
abraços
Escrito por Cezar T. Chede em 28/08/2007
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  11/08/2007
Pessaol, desculpem , mas acabei prolongando as férias. Devo voltar a levantar posts na semana que vem. Não vão embora...
abraços
Escrito por Cezar T. Chede em 11/08/2007
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  20/07/2007
Meus amigos, estarei em férias de hoje a 12 de agosto...Necessário para recarregar as baterias, que já estão falhando...Neste período, os convido a ler os posts anteriores.
abraços a todos
Escrito por Cezar T. Chede em 20/07/2007
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  17/07/2007
Analisando o CDP (1)

No último post falei por alto do CDP – Carbon Disclosure Project e gostaria de discuti-lo mais detalhes neste e nos próximos posts. O CDP tem sede em Londres e é uma iniciativa que reúne mundialmente mais de 220 investidores, responsáveis pela gestão de mais de 31 trilhões de dólares, e que por meio de pesquisas atualizadas anualmente já consegue acompanhar o nível de responsabilidade ambiental de 500 das maiores corporações globais do planeta.
Esta preocupação é crescente, pois não existem mais dúvidas que o aquecimento global, causado pelos gases de efeito estufa é uma das principais causas dos desequilíbrios climáticos que começamos vivenciar.

As empresas, governo e sociedade podem mostrar que é perfeitamente possível gerar riqueza e desenvolvimento econômico ao mesmo tempo em que se cuida do meio ambiente. Não é a economia que vai salvar o meio ambiente, mas o meio ambiente é que vai salvar a economia. Mas, mudar paradigmas não é fácil e requerem responsabilidade a ações de todos, governos, sociedade e empresas. A proposta do CDP é exatamente de provocar reflexões e mudanças no comportamento das grandes corporações, com relação à suas responsabilidades com relação à emissão de gases de efeito estufa. As grandes corporações têm muito poder. Por exemplo, a Wal-Mart teria um PIB superior a países como Suécia e Áustria e se misturássemos o PIB dos paises mais ricos do mundo com o faturamento das maiores empresas globais, teríamos uma lista de 100 participantes onde mais da metade seriam empresas!

Recentemente o CDP começou a monitorar empresas brasileiras. Foram consultadas 50 empresas e 65% delas responderam à pesquisa. É um bom sinal, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Muitas e muitas empresas ainda não acordaram para a gravidade do problema e pior, muitos governantes também estão omissos quanto à questão e suas responsabilidades diretas. E a sociedade também não pode e nem deve se omitir: a responsabilidade é de todos. Não podemos terceirizar o problema para as empresas e governantes. Somos todos responsáveis.

Porque as empresas estão começando a se engajar? Mudanças climáticas graves afetam as empresas de diversas maneiras, seja pelos próprios riscos físicos (aumento nos prêmios dos seguros, e danos e atrasos em projetos causados por eventos climáticos), regulatórios (restrições advindas de legislações mais rigorosas), de mercado (possível declínio na demanda de consumo devido à queda do PIB) e de imagem, causada pela percepção de “inércia” e omissão diante das mudanças climáticas. Por outro lado, abrem-se inúmeras oportunidades de negócio, com incentivos à inovações tecnológicas voltadas para novas formas de geração de energia ou mesmo ao seu consumo eficiente, despertando grande interesse de investidores e do mercado. Por exemplo, os mercado globais de energia solar e eólica já ultrapassaram os doze bilhões de dólares.

O setor empresarial dedicado à produção de energia limpa está se transformando no cenário da próxima grande onda de investimentos, similar a que aconteceu na década passada com a onda dos empreendimentos da Internet. Hoje a tecnologia limpa já é a quinta maior categoria de investimento de venture capital, atrás apenas de biotecnologia, software, medicina e telecomunicações. A febre de investimentos em energia limpa está sendo impulsionada por três fatores principais: petróleo caro, temores em relação à segurança energética (crises no Oriente Médio e dependência da OPEP) e crescente preocupação com o aquecimento global.

Os investidores acreditam que as fontes energéticas vão se alterar radicalmente nos próximos anos, com as usinas de eletricidade poluidoras alimentadas por carvão e gás dando lugar a alternativas mais limpas como energia solar e eólica. Além disso, esperam que os biocombustiveis substituam a gasolina e o diesel, e redes de pequenas geradoras de eletricidade substituirão as gigantescas usinas atuais. E, a mais longo prazo acreditam que as células de combustíveis alimentadas por hidrogênio tomarão o lugar dos atuais motores de combustão interna.

Já vemos uma adesão em grande escala das principais empresas globais ao CDP. 72% das 500 maiores empresas já aderiam ao projeto e as respostas delas nos mostram um quadro positivo:
a) Os setores de alto impacto ambiental lideram este movimento, principalmente das empresas do setor energético.
b) A Europa se mostra mais engajada. 86% das empresas européias responderam ao CDP, enquanto apenas 66% das americanas fizeram o mesmo.
c) 87% das empresas responderam que as mudanças climáticas representam riscos e/ou oportunidades comerciais e 35% concordaram que as mudanças climáticas representam um risco financeiro. A leitura é que a conscientização está se consolidando e o engajamento não está sendo causado apenas por força das regulamentações.
d) Entretanto, menos da metade das empresas que consideram as mudanças climáticas como um risco ou oportunidade implementou programas de redução das emissões. Ou seja, estamos no início da longa caminhada!

Nos próximos posts vou detalhar mais as informações dos relatórios do CDP. São realmente muito interessantes e nos mostram a tendência de pensamento das grandes corporações globais e brasileiras.


Escrito por Cezar T. Chede em 17/07/2007
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  13/07/2007
Lucro ambiental: investidores começam a valorizar empresas com programas de sustentabilidade ambiental

As preocupações com meio ambiente eram apenas preocupações dos ecologistas e “verdes”. Agora são também dos investidores.
Está ficando claro para eles que não é mais suficiente comprar ações olhando apenas se elas darão lucros, mas também se as empresas que as emitem estão garantindo sua perpetuidade, preocupando-se com o meio ambiente e a sociedade.

Os temas como mudanças climáticas e riscos de pandemias globais já fazem parte do cotidiano das discussões de muitos empresários, no mundo todo. A comunidade financeira está acordando. Um claro sinal desta mudança foi o fato de mais de 220 investidores internacionais “de peso” (dos quais 15 são brasileiros) e que administram mais de 30 trilhões de dólares aderirem em 2006 ao projeto britânico Carbon Disclosure Project – CDP. Vejam o site do projeto em http://www.cdproject.net/. O objetivo destes investidores é saber o que as maiores empresas de capital aberto do mundo estão fazendo para reduzir a emissão de gás carbônico, um dos gases que provocam o superaquecimento da Terra. Este projeto começou em 2002 e agora as companhias brasileiras começarão também a serem analisadas. No ano passado, 72% das 500 maiores empresas da lista da Fortune 500 já tinham aderido ao projeto. No site vocês podem acessar o relatório sobre o Brasil e a lista das 15 empresas nacionais que aderiram ao projeto.

Os investidores estão interessados em saber se as empresas sabem realmente quantas toneladas de carbono jogam na atmosfera, se estão fazendo algo para diminuir estas emissões, se tem planos de alterar sua matriz energética e assim por diante. Em resumo, querem saber se os executivos destas empresas tem consciência dos problemas ambientais, como eles entendem que isto afeta os seus negócios e que políticas estão adotando.

Estes dados, coletados por questionários enviados às empresas e analisados detalhadamente, são usados como instrumento adicional de análise para escolha de quais empresas os investidores pretendem investir. É uma forma de pressão bastante significativa. Ser excluída de carteiras de fundos destes investidores pode representar um baque severo no valor das empresas.

Mas as preocupações com o meio ambiente e a emissão de carbono também desperta atenção de diversas outras empresas, mesmo as que não tem ações nas bolsas de valores. Algumas companhias brasileiras estão adotando o conceito de “carbono neutro”, ou seja, calculam quanto de dióxido de carbono jogam na atmosfera e convertem o equivalente a este valor em plantio de árvores, compensando assim a poluição que elas mesmas geram. De maneira simplista uma tonelada de gás carbônico emitido corresponde a cinco árvores que devem ser plantadas.
É um movimento ambientalista que ganha corpo no mundo inteiro. A "neutralização do carbono" é uma medida simples que cada um de nós pode fazer, contribuindo com a nossa parte na redução dos efeitos nocivos do aquecimento global.
A idéia, na medida do possível, é reproduzir a vegetação nativa de determinada área, além de absorver o carbono da atmosfera, contribuindo globalmente para a redução do efeito estufa.
Escrito por Cezar T. Chede em 13/07/2007
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  10/07/2007
Nossa Pegada Ecológica

A sociedade vem impondo tensões cada vez maiores ao finito e limitado meio ambiente, ultrapassando a sua capacidade de se sustentar. Nós já estamos consumindo 25% mais recursos naturais a cada ano do que o planeta é capaz de repor. E neste ritmo, em 2050 estaremos consumindo mais que o dobro da capacidade da Terra.

O nosso modelo econômico, baseado no desenvolvimento a todo custo e no consumismo, impulsiona o crescimento de áreas urbanas. Algumas análises têm mostrado que as áreas urbanas, com cerca de metade da população mundial são responsáveis por mais de 80% das emissões de carbono e 60% do consumo de água potável do planeta. E as cidades, que não ocupam mais que 3 a 5% do espaço do planeta consomem mais de 75% dos recursos naturais e o crescimento urbano continua a crescer.

Apesar da gravidade da situação, a questão ambiental ainda é visto com desconfiança por muitos governos. Recentemente o governo chinês expurgou quase um terço de um relatório do Banco Mundial sobre poluição na China, devido às preocupações com que números sobre as mortes prematuras pudessem provocar “turbulência social”. O relatório, produzido em cooperação como o governo chinês chegou à conclusão de que cerca de 750.000 pessoas morrem na China a cada ano, devido a causas ambientais, como a poluição do ar nas grandes cidades. Das vinte cidades mais poluídas do mundo, 16 ficam na China.

Aqui no Brasil também negamos informações ou as distorcemos...Vejamos o exemplo do desmatamento da Amazônia. Recentemente o presidente Lula garantiu aos europeus que na Amazônia não dá para plantar cana, se não os portugueses teriam plantado lá, na época do ciclo da cana de açúcar. Mas estudos como o da ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) mostra cenário bem diferente. Seus estudos mostram que as áreas aptas ao cultivo da cana no Pará podem ser quase o dobro da área cultivada de São Paulo e que o estado tem potencial para ser um dos maiores produtores de etanol do país. E só na terra já desmatada, a área própria ao cultivo pode chegar a 9 milhões de hectares.. Boa noticia por um lado, mas ruim por outro...Se a área disponível ficar restrita ao que já foi desmatado, excelente. Mas sabemos que o processo de ocupação de terras de forma ilegal é feito por que a fiscalização é inadequada e muitas vezes acobertada por corrupção. A pressão por desmatar mais e mais áreas vai se tornar maior com a dinâmica do etanol se adicionando à dinâmica da pecuária.

As questões ambientais não aparecem com destaque na mídia econômica. Basta ver as reportagens que debatem questões relativas a variação do nosso PIB e suas comparações com outros países. Quase nada lemos sobre indicadores que reflitam a pressão sobre o meio ambiente. Outro dia em conversa informal com um amigo, jornalista econômico, observei que ele conhecia a fundo estatísticas como PIB e discorria análises comparativas do nosso PIB versus a de outros países. E quando perguntei sobre alguns indicadores, como pegada ecológica, silêncio...Pois é. Estes indicadores ainda são desconhecidos para muita gente. E pior, considerados como meros indicadores usados por ambientalistas para tecerem comentários ameaçadores sobre o “caos ambiental”.

Bem, mas porque não conhecer um pouco sobre este assunto? O termo “pegada ecológica” ou “ecological footprint” foi cunhado em 1992 pelo ecologista canadense William Rees. O livro, onde ele define e explica o termo, “Our Ecological Footprint: reducing human impact on the Earth” pode ser adquirido em livrarias on-line e vale a pena lê-lo. Existe também um excelente livro nacional, “Pegada Ecológica e Sustentabilidade Humana”, de Dias, Genebaldo Freire, da Editora Gaia, que também recomendo.

E na enciclopédia on-line Wikipedia também podemos ler um pouco sobre o assunto. Vejam o endereço http://en.wikipedia.org/wiki/Ecological_footprint.

Mas, fazendo um rápido resumo, pegada ecológica se propõe a avaliar os impactos do homem no meio natural. A pegada ecológica busca contrastar o consumo dos recursos pelas atividades humanas com a capacidade de suporte da natureza e mostra se seus impactos no ambiente global são sustentáveis no longo prazo. Este indicador também possibilita que se estabeleçam benchmarks, permitindo estabelecer comparações ente pessoas, cidades e nações.

Por que não termos estes indicadores sendo disseminados pela mídia? Por que não divulgar com freqüência a pegada ecológica do Brasil frente a outros países? E dentro do nosso país? Qual a pegada de São Paulo? Do Rio de Janeiro? Do Maranhão? Do Pará? Com estes indicadores teremos mais consciência da gravidade da situação e, portanto, poderemos mudar nossas escolhas individuais que irão afetar nosso futuro.
Escrito por Cezar T. Chede em 10/07/2007
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  05/07/2007
Uma onda verde...

A procura por soluções mais amigáveis ao meio ambiente está pouco a pouco se disseminando por todos os setores econômicos. Podemos até dizer que em breve estaremos entrando em uma nova onda verde, onde as questões ambientais deixarão de ser apenas obrigação dos parâmetros legais, mas um dos fatores preponderantes para sustentabilidade do negócio. Os executivos começam a perceber que no futuro a questão ambiental poderá ser uma restrição ou uma ferramenta para alavancar negócios. As estratégias de negócio vão ter que alinhar competitividade com sustentabilidade. Provavelmente este movimento vai se acelerar após 2012, quando o Protocolo de Kyoto será revalidado e possivelmente deverá fixar normas mais rígidas para as empresas brasileiras.

Qualquer que seja o setor econômico a preocupação ambiental vai se tornar cada vez mais evidente, e envolverá desde a construção de novas plantas industriais e prédios até a concepção, desenvolvimento, fabricação, distribuição e descarte do produto final. A pressão por parte da sociedade e dos parceiros de negócios no exterior será cada vez maior para que as empresas tenham processos cada vez mais limpos e ecológicos.

Já existem diversas empresas brasileiras que são pioneiras neste esforço. Lendo cadernos econômicos e pesquisando aqui e ali, selecionei alguns cases que merecem ser estudados. São referências que podem nortear ações das demais empresas.

No setor de cana de açúcar, setor historicamente avesso às questões ambientais, já vemos alguns bons exemplos. Claro que não são todas as usinas que tem esta consciência ambiental, mas à medida que elas se mostram viáveis, as demais ou revertem sua situação ou acabarão saindo do mercado. O esforço pioneiro das Usinas São Francisco e Santo Antônio, do Grupo Balbo, fabricante do açúcar orgânico Native, já mostra bons resultados. Enquanto a produtividade média no Estado de São Paulo é de 86 toneladas de cana por hectare, elas tem conseguido 104 toneladas por hectare. Um dos pontos mais visíveis de seus esforços é a redução da queima da palha e das pontas da cana-de-açúcar durante a colheita, o que desencadeia uma série de benefícios e reduz o consumo de água na lavoura e na produção. Estas usinas cortam a cana crua, eliminando as queimadas. Quando a cana é colhida crua, fica no solo toda a palha que antes era queimada. Quando esta palha se decompõe, funciona como herbicida natural no controle de pragas. Além disso, funciona como uma camada de proteção natural à erosão do solo, protegendo-o do impacto direto da chuva.

No setor de bebidas, a Ambev tem tido muito sucesso no reuso da água. Água é crítico para a sociedade humana. Estimativas apontam que até 2080 3,2 bilhões de pessoas enfrentarão severa escassez de água. Com o reuso da água para limpeza das fábricas e lavagens de garrafas e engradados, a Ambev retira 20% menos de água da natureza, em comparação com 2002. Seu consumo na produção de bebidas caiu, passando de 5,6 litros de água por litro de cerveja em 2002 para 4,3 no ano passado. A referência mundial é de 3,7 litros de água por litro de cerveja. E os demais fabricantes de cerveja? Quanto será que consomem de água por litro de cerveja produzido e o que estão fazendo para reverter a situação?

Outras industrias também estão implementando sistemas de reaproveitamento de água para fins industriais e sanitários. A fábrica da Volkswagen em Taubaté é um exemplo. Parte da água empregada na cadeia produtiva é tratada e bombeada de volta à fábrica, sendo usada em operações de pintura, refrigeração, limpeza e jardinagem. Aliada a outras medidas o processo trouxe uma redução de 45% no consumo de água tratada.

Mas não são apenas as indústrias que se preocupam com consumo de água. O Citibank anunciou recentemente um projeto de quase 600 mil dólares para dotar seu edifico sede, na Avenida Paulista, de processos de reuso de água. A reforma trará uma redução estimada de 60% sobre o atual consumo de água, que gira em tono dos 35 mil metros cúbicos por ano. Segundo estudos do CitiBank, os banheiros consomem 55% do total de água, o ar condicionado 37% , a rega de jardins 5%, e a limpeza da fachada os outros 3%.

Falando no setor financeiro, o Banco Real inaugurou a sua primeira agência com construção ambientalmente correta do Brasil. Em comparação com uma agência comum, esta usa britas e tijolos reciclados, tinta e massa corrida sem solventes, painéis divisórios em fibrocimento sem amianto e assoalho e móveis de madeira certificada. Todo o entulho da obra foi reaproveitado ou reciclado. O ambiente também foi planejado para aproveitar a energia solar e seu sistema de ar condicionado não emprega gases nocivos à camada de ozônio. A agência recebeu sistemas de reaproveitamento da água da chuva, e tratamento de esgoto com reuso da água nas descargas dos sanitários e irrigação dos jardins. Em breve a agencia deverá receber o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), certificação dos EUA que classifica os edifícios sustentáveis ou verdes, levando em conta a funcionalidade integrada á sustentabilidade ambiental. O Banco planeja abrir 60 novas agências “verdes” ainda este ano.

Reduzir consumo de energia também é de grande importância. Cerca de 40% das emissões globais de CO2 vem do setor de energia e se estima que se nada for feito, a demanda por energia vai aumentar em 50% até 2030. Algumas empresas globais como a Siemens e a farmacêutica Roche tem programas mundiais para o meio ambiente, nos quais energia é um item importante. A Siemens, por exemplo, traçou metas para as áreas fabris com o objetivo de reduzir o consumo de energia elétrica em 20% no prazo de cinco anos, a contar de 2007. Na Roche existe uma diretriz mundial no sentido de redução de energia e a empresa mantém auditores que auditam os mais de 120 sites ao redor do mundo, para acompanhar o cumprimento das metas. São dos bons exemplos. Quantas outras empresas fazem isso?

No campo da redução de energia, a iluminação pública deve ser vista com muita atenção. Existem no Brasil cerca de 13 milhões de pontos de iluminação publica. O seu consumo corresponde à cerca de 3,4% do consumo de energia do país, o que equivale a mais de 10 bilhões de kW/ano. Usando unidades de vapor de sódio, 30% mais econômicas que as de valor de mercúrio, consegue-se uma redução significativa de consumo de energia. Em São Paulo, que tem a maior rede de iluminação pública do mundo, com cerca de 530 mil pontos (Paris, por exemplo, tem 150.000 lâmpadas de rua) já foram substituídas 107 mil, ou aproximadamente 20%. A substituição resultou em uma economia de 600 mil reais na conta de energia da Prefeitura.

Também vemos esforços bem sucedidos em setores vistos como poluidores, como cimenteiras e siderúrgicas. No caso das cimenteiras, a tecnologia de co-processamento, adotada na Europa nos anos 70, chegou recentemente aqui. Esta tecnologia aproveita milhões de toneladas de resíduos industriais, muitos potencialmente tóxicos, para gerar energia e substituir parcialmente o petróleo, principal combustível que alimenta os fornos de produção do cimento. No Brasil, estima-se que esta tecnologia já é responsável pela eliminação de 800.000 toneladas de resíduos tóxicos por ano, ou 30% das 2,7 milhões de toneladas anuais geradas pela industria brasileira. A meta é chegar a 2010 processando 1,5 milhão de toneladas de resíduos. A tecnologia adotada permite que a parte orgânica dos resíduos seja queimada na forma de combustíveis e a inorgânica que sobra é capturada por filtros e adicionada ao clinquer produto base do cimento, que é misturado no processo final a outras substâncias, principalmente o gesso. O co-processamento ajuda a reduzir as emissões da gases de efeito estufa e gera um circulo virtuoso, já que os resíduos, processados por outras industrias, são totalmente destruídos, o que não acontece nos processo tradicionais de incineração. A primeira cimenteira a adotar esta tecnologia foi a Votorantim Cimentos, isto em 1991.

As siderúrgicas também começam a se preocupar com o meio ambiente. Especialistas afiram que dos 59 tipos de gases lançados pelos alto-fornos das siderúrgicas, 28 são nocivos à saúde. Entre os poluentes, as micropartículas de ferro contaminam os pulmões e suspeita-se que seja a causa de diversos tipos de câncer, além de doenças respiratórias e alérgicas. Estas industrias estão se mexendo devido às pressões dos governos, da sociedade e principalmente dos investidores e dos paises importadores. Meio ambiente já começa a aparecer na agenda dos seus executivos e já vemos alguns esforços bem sucedidos no uso de energia alternativa e reutilização de resíduos sólidos.

Enfim, começamos a ver uma luz “verde” no fim do túnel. Mas todos nós temos que fazer nossa parte. Pressionar as empresas e o governo para que protejam o meio ambiente faz parte de nossas atribuições como cidadãos. Uma recente pesquisa do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP demonstrou, infelizmente, que o brasileiro dissocia seu papel de pessoa física e jurídica. Ele entende que as questões do meio ambiente são um grande problema nacional, mas não seu... Este pensamento tem que mudar e rápido, senão não conseguiremos fazer as transformações necessárias à nossa própria sobrevivência.
Escrito por Cezar T. Chede em 05/07/2007
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  02/07/2007
O que fazer com o carvão?

O aquecimento global é uma realidade. Seus resultados sobre o clima da Terra já se fazem sentir, com recuo das geleiras, furacões mais fortes, secas mais intensas e assim por diante. Muita coisa precisa ser feita, mas existem muitas barreiras e desafios a serem vencidos. Um deles é a própria desinformação e as propagandas tendenciosas por parte das grandes indústrias do petróleo e carvão.

As petroleiras, por exemplo, constituem um segmento extremamente forte. Basta ver que na lista chamada Global 500, que nomeia as 500 maiores empresas do mundo, das dez maiores, cinco delas são da indústria de petróleo (inclusive a maior empresa do mundo, a Exxon), quatro são da indústria automotiva, diretamente vinculada à indústria do petróleo e apenas uma a Wal-Mart é de outro setor, varejo. Entretanto, os seus clientes e fornecedores precisam do petróleo e dos veiculos para fazerem suas compras ou entregarem as mercadorias nas lojas.

Mas não é só o petróleo o responsável pela poluição atmosférica. Por exemplo, em 2002, o petróleo foi responsável por 43% das emissões globais de carbono, o carvão contribuiu com 37% e o restante veio do gás natural.
A maior mineradora do mundo, a Peabody Energy foi acusada pelo jornalista americano Ross Gelbspan em seu livro Boiling Point, de 2004, de financiar palestras de cientistas que defendem que o aquecimento global é apenas uma teoria e não um fato consumado.

O desafio é vencer todo o aparato econômico de uma sociedade global cuja matriz energética (diferentemente da nossa) é basicamente baseada nas indústrias de carvão, petróleo e gás natural, que extraem cerca de sete bilhões de toneladas de carbono por ano, queimando quase tudo, liberando quantidades enormes de gás carbônico na atmosfera.

O carvão, por exemplo, é uma fonte de energia que produz o dobro de CO2 por unidade de eletricidade gerada que a queima do petróleo ou do gás natural. Seu uso está disparando nos EUA e em outros países, e deverá continuar crescendo nos próximos anos. O carvão é fonte energética da metade da energia gerada nos EUA, 80% da energia gerada na China e 70% da energia da Índia. As estimativas de crescimento são estarrecedoras: os EUA deverão erguer 280 usinas termelétricas a carvão até 2030. A China vem construindo o equivalente uma grande termelétrica a carvão por semana. Estas novas usinas elétricas, em seus aproximadamente 60 anos de vida, lançarão na atmosfera mais ou menos a mesma quantidade de dióxido de carbono liberada por todo o carvão queimado desde o início da Revolução Industrial. Com certeza teremos muito mais efeitos danosos no clima.

Muitas destas empresas poluidoras desenvolvem ou pelo menos dizem que desenvolvem, ações ambientais. Mas será que estas ações são realmente sérias ou são apenas o que muitos chamam de “green-washing”- lavagem verde? Na prática o que vemos são milhões de dólares usados para disseminar informações falsas a respeito do aquecimento global. É a mesma estratégia que a indústria do cigarro vem usando para dissociar a relação entre o fumo e as doenças pulmonares.

Um passo fundamental na direção certa é a conscientização. A sociedade deve se convencer que as altas emissões de gás carbônico estão afetando o futuro do planeta e que esta ameaça não é um filme de Hollywood, mas uma catástrofe que se aproxima rapidamente.

Com uma maior conscientização a soceidade pressionaria os governos e as empresas a serem mais conscientes com o aquecimento global. Obrigaria a que fossem instituídas politicas que atenuassem de forma sensível as mudanças climáticas. Demandaria mais esforços na busca da descarbonização da energia, ou seja, novas formas de geração de energia sem uso de carbono.

Esta também deve ser uma preocupação da sociedade brasileira. Não estamos desconectados do resto do mundo. A geração de CO2 pelas usinas chinesas vai nos afetar, pois o clima é global. A mesma pressão que muitos países exercem no Brasil com relação ao desmatamento, devemos exercer nos países que estão crescendo o uso do carvão. É uma via de mão dupla...

Escrito por Cezar T. Chede em 02/07/2007
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  25/06/2007
Dados sobre meio ambiente no Hemisfério Sul são iguais aos do Norte?

Venho analisando as notícias que saem na mídia sobre meio ambiente e sustentabilidade. Com certeza elas vem crescendo em espaço nos jornais e revistas. No último Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, vimos artigos e cadernos especiais publicados em quase todos os principais jornais do país. Mas, infelizmente, a maioria das notícias e artigos publicados são oriundos de pesquisas e reportagens efetuadas no Hemisfério Norte. Será que tem a mesma validade aqui, no Hemisfério Sul? E porque quase não vemos reportagens sobre nosso Hemisfério?

Bem, quanto as pesquisas efetuadas lá fora, claro que suas prioridades são os problemas ambientais enfrentados pelos países desenvolvidos e o Hemisfério Sul (onde se encontram os países em desenvolvimento) estão menos visível em suas agendas e prioridades. O número de pesquisadores de países como o Brasil e a Índia envolvidos na elaboração do relatório do IPCC foi bem pequeno. A comunidade científica mundial é claramente dominada pelos países desenvolvidos, tanto em número de recursos como de pesquisadores (94% da literatura científica indexada é oriunda destes países) e, portanto nada mais natural que a produção científica mundial seja focada nas suas questões e necessidades.

Entretanto, quando olhamos o meio ambiente e os ecossistemas, vemos que existem muitas diferenças entre o norte e o sul, que nem sempre são refletidas nos trabalhos e pesquisas científicas. Os países desenvolvidos localizam-se em áreas de clima e de ecossistema temperado e ártico, enquanto que os países em desenvolvimento (como o Brasil) estão localizados em ecossistemas subtropicais ou tropicais. Os ecossistemas no Sul ou são únicos ou muitas vezes apenas aparecem marginalmente no Norte. Com isso, pesquisas centradas em ecossistemas nortistas têm pouca valia quando aplicadas diretamente no Sul.

O resultado é que existe uma falta crônica de dados e pesquisas sobre meio ambiente no Hemisfério Sul. Muitos países em desenvolvimento não têm coleta sistemática de dados ambientais, como vemos na África, por exemplo.

Quando falamos em mudanças climáticas, geradas pelo aquecimento global, notamos que as pesquisas referem-se basicamente aos efeitos negativos que serão gerados nos países desenvolvidos. Mas, os países em desenvolvimento sofrerão conseqüências extremamente severas, muitos podendo ter sua economia inteiramente devastada. Entretanto, pouca atenção vem sendo dada a estas prováveis conseqüências.

As próprias medidas de combate aos problemas ambientais vem sendo direcionados às demandas e necessidades dos países desenvolvidos, ignorando as necessidades dos países em desenvolvimento, principalmente as referentes às camadas mais pobres de sua população.

O que fazer? A maneira mais objetiva é expandir os recursos de pesquisas ambientais no Hemisfério Sul. Os países amazônicos poderiam estar desenvolvendo uma rede de pesquisas cooperadas e integradas, uma vez que seus ecossistemas são os mesmos. Poderia, por exemplo, ser criado um “Ministério do Meio Ambiente Amazônico”, multifronteiras, uma vez que muitos problemas e desafios são similares a todos os países da região. A divisão de tarefas, como coleta e análise de dados daria mais velocidade e amplitude aos trabalhos científicos ambientais. A comunidade científica seria fortalecida.

Com isso, teríamos mais informações e melhor controle dos problemas ambientais que nos afetam mais diretamente, tendo os países em desenvolvimento maiores condições de opinar nos fóruns mundiais e rever as desigualdades de conhecimento entre o norte e o sul. Esta desigualdade se reflete hoje nas decisões globais referentes ao tema, o que acaba favorecendo os países desenvolvidos.
Escrito por Cezar T. Chede em 25/06/2007
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  22/06/2007
Meio ambiente e corrupção

Um recente artigo na revista cientifica “Philosophical Transactions of the Royal Society”, sumarizada no jornal britânico The Independent, disse que a Terra está em perigo iminente e só um plano de resgate planetário a salvaria do cataclisma imposto pelas dramáticas mudanças climáticas que já estão acontecendo. Os cientistas alertam que o próprio relatório do IPCC subestima o efeito destas mudanças e que elevação do nível do mar não será de apenas 40 cms até 2100, mas de vários metros.

Estes cientistas também alertam para o fato da urgência, restando uma exígua janela de tempo, de dez anos, para que medidas severas de limitação dos gases poluentes sejam tomadas, em escala mundial.

Mas, o que isso tem a ver com corrupção? Quando se fala em medidas severas, com certeza empresas e grupos sociais serão afetados por elas e reagirão de forma bem agressiva, fazendo pressão contrária. Estamos falando de fiscalização mais severa, legislações mais drásticas, impostos maiores, etc, que geram espaço para um aumento da corrupção. E porque?

Um especialista em corrupção, Robert Klitgaard, da Universidade de Claremont (Califórnia) colocou a prática da corrupção dentro de uma fórmula matemática, onde ele mostra que corrupção = (monopólio + poder discricionário – transparência). Se um servidor público tem grande discricionaridade para decidir como executar um serviço no qual o Estado é monopolista, só um sistema de prestação de contas rígido e bem definido criará um desestímulo à corrupção. Segundo ele o sistema sendo corrupto gera indivíduos corruptos.

No Brasil vemos uma burocracia imensa, criando toda sorte de dificuldades, incentivando a corrupção. A impunidade é outro fator impulsionador da corrupção. Quando vemos exemplos grotescos como o da Comissão de ética do Senado tentar acobertar uma situação em que o presidente do Senado paga contas com recursos de origem incerta e tem negócios empresariais mergulhados em indícios de irregularidades, claramente vemos sinais de um sistema que incentiva a corrupção.

Em um sistema político e social como este, com o legislativo, judiciário e executivo sistematicamente às voltas com escândalos, como podem criar leis, fiscalizá-las e punir infratores?

Na minha opinião, a corrupção generalizada que está disseminada pela sociedade brasileira será um grande entrave à qualquer medida mais drástica de combate ao aquecimento global.
Escrito por Cezar T. Chede em 22/06/2007
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  19/06/2007
A revolução das energias limpas

Jornais e revistas econômicas já começam a apontar que estamos no início de uma nova revolução tecnológica. É a chamada revolução das tecnologias limpas.

Alguns dados nos chamam a atenção. Nos EUA, por exemplo, em 1999 os investimentos de risco em energia limpa representaram menos de 1% do total dos investimentos. Ano passado, já representaram quase 10%. Os investidores, que antes investiam pesadamente em empresas de Tecnologia da Informação estão começando a olhar com muito interesse o setor de energia limpa. E o mercado global de energia limpa, movimentou, em 2006, cerca de 60 bilhões de dólares. Estima-se que em dez anos, por volta de 2016, este mercado já esteja girando algo como 226 bilhões de dólares!

A verdadeira febre de investimentos em energia limpa está sendo impulsionada por três fatores principais: petróleo caro, temores em relação à segurança energética (crises no Oriente Médio e dependência da OPEP) e crscente preocupação com o aquecimento global.

Os investidores acreditam que as fontes energéticas vão se alterar radicalmente nos próximos anos, com as usinas de eletricidade poluidoras alimentadas por carvão e gás (a matriz energética da Europa é baseada em carvão) dando lugar a alternativas mais limpas como energia solar e eólica. Além disso esperam que os biocombustíveis substituam a gasolina e o diesel, e redes de pequenas geradoras de eletricidade substituirão as gigantescas usinas atuais. E, a mais longo prazo acreditam que as células de combustíveis alimentadas por hidrogênio tomarão o lugar dos atuais motores de combustão interna.

Há poucos meses a conceituada revista The Economist publicou uma reportagem em que mostrava que o setor empresarial dedicado à produção de energia limpa está se transformando no cenário da próxima grande onda de investimentos, similar a que aconteceu na década passada com a onda dos empreendimentos da Internet. Muitas empresas da área de Tecnologia da Informação estão começando também a investir em tecnologias para energia limpa.

A revolução das energias limpas não pode ser comparada diretamente com a revolução da Internet. As mudanças energéticas não acontecem de um dia para o outro, mas demoram décadas. O carvão levou cem anos para suplantar a biomassa como fonte de energia. O gás natural levou cem anos para alcançar 20% de participação na energia global. Serão necessários de 20 a 30 anos para que as fontes de energia limpa alcancem uma participação de 20% a 30% em todo o mundo.

Claro que provavelmente muitos dos atuais empreendimentos de energia limpa não terão sucesso, mas com certeza veremos muitos outros (inclusive alguns que ainda não foram criados) que se tornarão ícones empresariais de um novo modelo energético.

Um ponto a favor dos investidores é que muitos países estão investindo em políticas energéticas baseadas em energia limpa. O Brasil no etanol, é um bom exemplo. Na Europa, existem países fortemente engajados nas políticas de energia limpa. A União Européia deseja que até 2010 quase 6% de todo o combustível para os transportes venham de fontes não fósseis. E 18% da eletricidade gerada seja obtido por fontes renováveis. A Alemanha é um exemplo interessante: apesar de não ser um país ensolarado, investe pesadamente em energia solar e hoje pode ser considerado o maior mercado do mundo neste setor.

Existe um tremendo potencial para crescimento do setor de energia limpa. Claro que haverão tropeços no caminho, como complicadores políticos (pressão das empresas petroleiras, por exemplo) e problemas tecnológicos (algumas tecnologias ainda não estão maduras o suficiente), mas os investidores estão apostando alto. Energia limpa é um negócio mais sustentável, menos vulnerável às especulações financeiras.

Na minha opinião existe um tendência irreversível em direção ao uso de energias limpas e que esta poderá ser um imensa oportunidade para criação de empreendimentos e geração de empregos e riqueza. Pela primeira vez na história podemos alinhar os pensamentos de servir ao meio ambiente, usar recursos naturais de maneira eficiente e ganhar dinheiro. Com certeza, isto vai atrair mais e mais empreendedores e investidores.

Quem sabe se o Bill Gates da próxima década não surgirá de um empreendimento de energia limpa? Aliás, Bill Gates é sócio da empresa Pacific Ethanol e os fundadores do Google já estiveram no Brasil em busca de oportunidades de investimentos em energias limpas.
Escrito por Cezar T. Chede em 19/06/2007
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  14/06/2007
Rio de Janeiro e o aquecimento global

Dia 5 de junho foi o Dia Mundial do Meio Ambiente e li uma reportagem muito interessante (e preocupante) no jornal O Globo, sobre os efeitos do aquecimento global no Rio de Janeiro. O Rio é a maior cidade costeira do país e está no caminho da elevação do nível do mar, causado pela elevação da temperatura global.

Já começamos a sentir algumas mudanças. Os efeitos do aquecimento global não são mais perspectivas futuras, mas coisa do presente. No noroeste do estado a temperatura média já está cerca de 1,1 graus Celsius maior que há vinte ou trinta anos atrás. Em outras regiões do estado a temperatura média também vem subindo. Este aumento da temperatura é mais facilmente percebido nas temperaturas mínimas. Na prática, quando se rompe o equilíbrio climático, o clima torna-se de extremos, com ondas de calor abrasadoras seguidas por períodos de frio intenso. Nas grandes cidades, como no Rio de Janeiro, o aumento da temperatura média é bem maior, porque há uma grande concentração de combustíveis fósseis.
O desequilibro climático também provoca mudanças no regime de chuvas. Em algumas regiões do estado já se sente um aumento significativo na intensidade e freqüência das chuvas.

Mas outro efeito severo será a provável perda de espaço para o mar. Alguns estudos mostram que a cidade poderá perder até 12%de seu território. O Instituto Pereira Passos fez um estudo muito interessante e desenhou três cenários de elevação do nível do mar. No que eles consideraram o cenário mais provável, com elevação de 60 cms, o Rio perderia cerca de 8 quilômetros quadrados (mais ou menos um bairro do tamanho de Jacarepaguá), afetando principalmente áreas mais baixas como a favela do Rio das Pedras, que teria parte de seu espaço alagado. Também favelas em Parada de Lucas e Vigário Geral seriam bem afetadas. Nas praias da Zona Sul